Polícia prende em São Paulo hacker que ameaçou explodir STF e investiga possível ligação com explosões em Brasília

Suspeito trabalha na área de Tecnologia da Informação (TI) e participa de grupos de extrema direita na dark web

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, nesta quinta-feira (14), um hacker de 36 anos, suspeito de ameaçar o Supremo Tribunal Federal (STF) com ataques de bomba no final de 2022, pouco antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a delegada Vanessa Pitrez, que coordena a investigação, o suspeito trabalha na área de Tecnologia da Informação (TI) e participa de grupos de extrema direita na dark web — um segmento oculto da internet acessível apenas por navegadores específicos e que abriga fóruns de difícil rastreamento.

As autoridades investigam se existe alguma ligação entre esse hacker e Francisco Wanderley Luiz, o chaveiro de 59 anos que, na noite desta quarta-feira, lançou explosivos em frente ao STF, causando sua própria morte em um ato suicida. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comentou a situação, destacando a presença de “grupos extremistas ativos” no país, os quais, segundo ele, exigem uma resposta firme e determinada por parte das autoridades.

A delegada Vanessa Pitrez confirmou que a Polícia Federal entrou em contato para discutir o caso e avaliar possíveis conexões. Fontes internas da PF afirmaram que todas as associações e contatos do homem-bomba estão sendo minuciosamente analisados para compreender melhor a rede de influências por trás desse ato violento.

– Apreendemos muitos equipamentos eletrônicos que serão minuciosamente analisados. Daí veremos se há de fato alguma relação – disse a delegada da Polícia Civil gaúcha.

O hacker foi preso em Jundiaí, no interior de São Paulo. Ele já era monitorado desde o fim de 2022. Os investigadores suspeitam que ele seja o autor de um e-mail enviado à conta institucional do STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no qual ameaçava explodir o Supremo.

O título do e-mail faz um “aviso” de que “explodirão o STF com todos dentro”. Enviada em dezembro de 2022, a mensagem descreve que a ameaça vem de um “grupo de brasileiros, patriotas, que não irão aceitar o golpe” e anuncia que eles têm “aproximadamente 20 kg de explosivo PETN” e estão “prontos e instruídos a usar”.

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (14), o diretor-geral da PF afirmou que as explosões na Praça dos Três Poderes não podem ser tratadas como um “fato isolado” e que a PF está em busca de terceiros que possam ter ajudado financeiramente ou inflamado o chaveiro a atacar os explosivos no Supremo.

A PF faz a perícia no celular de Wanderley Luiz para verificar com quem ele trocava mensagens sobre os ataques ao Supremo. Os investigadores já identificaram que ele vinha alardeando as ações desde julho, quando decidiu se mudar de Rio do Sul (SC) para Brasília.

Com informações de O Globo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading