Polícia Civil pede prisão de tenente-coronel no caso da PM morta com tiro na cabeça em SP

Laudos periciais apontam indícios de agressão antes do disparo e levantam dúvidas sobre versão inicial de suicídio

A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, no âmbito da investigação sobre a morte da soldado Gisele, de 32 anos, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, no Brás, região central da capital. Até a última atualização do caso, o Poder Judiciário ainda não havia se manifestado sobre o pedido, que conta com o aval do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), informa o g1.

A decisão ocorre após a anexação de laudos da Polícia Técnico-Científica ao processo. Os exames descartaram que a vítima estivesse grávida ou sob efeito de drogas ou álcool, mas revelaram a presença de manchas de sangue em diferentes cômodos do imóvel — o que reforça dúvidas sobre a dinâmica do ocorrido. A delegacia responsável aguarda novos resultados do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito, aberto há cerca de um mês como morte suspeita.

Indícios de agressão antes do disparo

Segundo os peritos, há sinais de que a policial pode ter desmaiado antes de ser atingida pelo tiro. O laudo aponta lesões descritas como “contundentes”, provocadas por pressão digital e escoriações compatíveis com marcas de unhas, o que sugere possível agressão anterior ao disparo.

Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita após contestação da família da vítima. O corpo foi exumado e submetido a novos exames, incluindo tomografia, no IML Central de São Paulo.

Contradições sobre horário e versão apresentada

O horário da morte é um dos pontos que levantam suspeitas. Uma vizinha relatou ter ouvido um estampido por volta das 7h28 — cerca de 30 minutos antes da primeira ligação do tenente-coronel ao serviço de emergência. Às 7h57, ele comunicou à Polícia Militar que a esposa havia se matado. Minutos depois, às 8h05, afirmou ao Corpo de Bombeiros que ela ainda respirava.

As equipes de resgate chegaram ao local às 8h13. Um socorrista relatou estranhamento com a posição da arma, que estaria “bem encaixada” na mão da vítima, algo incomum em casos de suicídio. Ele também afirmou que o sangue já estava coagulado e que não havia cartucho de bala no local.

Depoimentos contestam versão de banho

Outro ponto questionado envolve o relato do oficial de que estaria no banho no momento do disparo. Bombeiros que atenderam a ocorrência afirmaram que ele estava completamente seco e que não havia sinais de água no chão do apartamento. Apesar de o chuveiro estar ligado, não foram encontradas poças ou marcas que indicassem uso recente.

Um sargento com 15 anos de experiência destacou que o tenente-coronel não apresentava qualquer sinal de ter saído apressadamente do banho. A observação foi corroborada por um tenente da PM que esteve entre os primeiros a chegar ao local.

Comportamento e ausência de socorro imediato

O comportamento do marido também chamou a atenção dos socorristas. De acordo com depoimentos, ele não demonstrava desespero, falava de forma calma ao telefone e insistia para que a vítima fosse rapidamente levada ao hospital. Os profissionais também notaram a ausência de sangue em suas roupas ou corpo, indicando que ele possivelmente não tentou prestar os primeiros socorros.

Ligação para desembargador gera questionamentos

Outro elemento sob investigação é uma ligação feita pelo tenente-coronel ao desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), logo após o ocorrido. O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu ao apartamento.

A presença dele no local foi questionada pela família da vítima. O advogado José Miguel da Silva Junior afirmou que o desembargador “foi a primeira pessoa acionada após o disparo” e deverá esclarecer sua participação.

Entrada de policiais no imóvel também será apurada

Imagens mostram que duas policiais entraram no apartamento no mesmo dia da morte, por volta das 17h48, permanecendo no local por cerca de 50 minutos. Segundo testemunhas, elas não saíram com objetos. Ambas deverão prestar depoimento.

Defesas se manifestam

A defesa do tenente-coronel afirmou, em nota, que ele não é investigado, suspeito ou indiciado até o momento e que tem colaborado com as autoridades desde o início. Já a defesa do desembargador declarou que ele esteve no local como amigo do oficial e que prestará esclarecimentos à polícia quando solicitado.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar, que aguardam novos laudos para esclarecer a dinâmica do disparo e eventuais responsabilidades.

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