Pense na cena: é uma quinta-feira de maio em Búzios. A Rua das Pedras, que no Carnaval parece o metrô de São Paulo na hora do rush, tem mesas livres. É como se fosse feita uma viagem no tempo e o lugar voltasse a ser apenas uma vila desconhecida de pescadores. Na Ilha Grande, a trilha para Lopes Mendes, que no verão exige ultrapassar filas de mochileiros empilhados como vagões, fica silenciosa, com trilhas mais secas, o clima mais fresco e os mirantes com destaque total. Em Arraial do Cabo, o outono e a primavera entregam as melhores condições para fotografar as praias sem grandes multidões, enquanto as Prainhas do Pontal do Atalaia mostram sua areia branca e seu mar azul intenso sem um guarda-sol sequer no caminho. Isso é o que os cariocas e simpatizantes sabem e raramente contam aos estrangeiros.   

O paradoxo está servido: a melhor versão dessas praias custa menos do que a opção ensolarada, escaldante e lotada em janeiro. Até novembro, o litoral do Rio de Janeiro estará em baixa estação. A equação financeira é impiedosa na clareza. Em baixa temporada, é possível encontrar hospedagens por R$ 110 com café da manhã incluído; no verão, o mesmo quarto raramente fica abaixo de R$ 350.  

E o benefício não é só financeiro: a melhor época para visitar Búzios, Arraial do Cabo e Angra dos Reis é, obviamente, quando o clima é agradável e há menos turistas o que, na prática, significa ter uma praia só para si. Em Angra, as 365 ilhas acessíveis apenas de barco oferecem um isolamento que no verão custa uma fortuna e no outono simplesmente acontece. Viajar na baixa temporada nas praias do Rio não é plano B. É a estratégia de quem sabe o que está fazendo. 

Por que o Outono é a melhor época para conhecer as praias do Rio de Janeiro?  

Esse é o segredo dos crias. Segundo uma frase atribuída ao ator e vocalista da Blitz Evandro Mesquita, um carioca que sabe das coisas: “turismo no Rio é praia no inverno e serra no verão”. O outono e o inverno costumam ser as melhores épocas para visitar as praias do Rio de Janeiro porque o clima fica mais seco, agradável e estável. Destinos como Armação dos Búzios e Angra dos Reis ganham dias de céu muito azul, menos chuvas e temperaturas mais confortáveis para caminhar, fazer passeios de barco e aproveitar a natureza sem o calor intenso e abafado do verão. O mar continua bonito e, em muitos dias, ainda é possível entrar na água tranquilamente.  

Outro fator importante é a diminuição do movimento turístico. Fora da alta temporada e dos grandes feriados, as praias ficam mais vazias, o trânsito melhora e os preços de hospedagem geralmente caem bastante. Isso permite aproveitar lugares como a Costa Verde ou a Região dos Lagos com muito mais calma, silêncio e sensação de exclusividade.  

Além disso, essa época revela um lado mais bonito e sofisticado da Costa Verde e da Região dos Lagos. A luz do inverno deixa o mar mais transparente, os fins de tarde ficam mais agradáveis e cidades litorâneas como Paraty e Búzios ganham um clima charmoso, ideal tanto para descansar quanto para apreciar restaurantes, pousadas e passeios ao ar livre. 

Ilha paradisíaca na Costa Verde (Crédito: Reprodução)

O Caribe com Fenômeno Científico  

Apelidada de Caribe Brasileiro, Arraial do Cabo abriga a praia mais perfeita do Brasil segundo o INPE e guarda o lugar exato onde a primeira feitoria do país foi fundada em 1503. Por trás dessa beleza existe um fenômeno raro chamado ressurgência: os ventos de nordeste empurram as águas quentes da superfície para o oceano aberto, e correntes geladas sobem de até 350 metros de profundidade, carregando nutrientes. Esse ciclo natural deixa a água com visibilidade que pode ultrapassar 20 metros, rendendo à cidade o título de Capital do Mergulho do Brasil.  

O outono é, tecnicamente, a melhor época para conhecer Arraial, quando a ressurgência é mais intensa e a visibilidade subaquática chega ao topo. Durante o outono, as trilhas como a da Praia Grande ao Mirante da Boa Vista ficam mais agradáveis, sem o calor intenso, e é também a melhor época para quem quer fotografar as praias sem grandes multidões.  

Pontal do Atalaia (Crédito: Reprodução)

A vila de pescadores de Brigitte Bardot 

Destino de praia mais charmoso do Brasil, a apenas 160 km do Rio de Janeiro. Búzios era, como imagino você saiba, uma pacata vila de pescadores quando suas praias começaram a ser frequentadas para veraneio, na década de 50. Algum tempo depois, a visita de uma jovem Brigitte Bardot revelou o balneário ao mundo. Hoje, a península reúne mais de vinte praias num raio de 8 km, cada uma com personalidade própria. Das águas calmas da Ferradura às ondas radicais de Geribá, passando pelo pôr do sol lendário do Porto da Barra. 

No outono, a temperatura mais amena tem três grandes vantagens: praias bem vazias, preços baixos e clima seco, sem chuvas. É o momento ideal para praticar stand up paddle, windsurf, kitesurf ou mergulho snorkel, com a vantagem de ter mais privacidade. E para quem aprecia gastronomia, o friozinho da noite é perfeito para desfrutar da ótima culinária que a cidade oferece. Culinária japonesa, italiana e indiana compõem o cardápio da Rua das Pedras, de preferência com um bom vinho. Santé 

Praia da Ferradura (Crédito: Reprodução)

Um paraíso sem carro nem agitação 

Com chuvas menos frequentes, especialmente a partir de abril, e temperaturas amenas, o outono é o melhor período para visitar a Ilha Grande _ um capítulo à parte no enciclopédico arquipélago da região da Costa Verde. Os dias são claros e a chance de ver o sol a pico é muito maior. A ilha não tem carros e essa ausência de motor cria um silêncio que, no outono, se transforma em raridade absoluta: trilhas com menos gente, praias quase desertas, pousadas com vagas. 

No outono, as temperaturas são agradáveis, a chuva diminui e as trilhas ficam mais secas, ideal para quem gosta de caminhar sem abrir mão de um mergulho rápido. As melhores praias de Ilha Grande são Lopes Mendes, Aventureiro, Caxadaço, Parnaioca e Dois Rios. Ao todo são 16 trilhas oficiais bem demarcadas, repletas de natureza e ruínas históricas como o Aqueduto e as Ruínas do Lazareto. Quem chega no verão encontra una outra ilha: barulhenta, cara e disputada. Quem chega por agora encontra o paraíso de verdade. 

Praia de Lopes Mendes (Crédito: Reprodução)

365 ilhas e nenhuma multidão 

Angra dos Reis, como cidade, é uma decepção. Por outro lado, é um destino repleto de ilhas deslumbrantes, praias tranquilas e luxuosos resorts. A cidade é famosa por abrigar mais de 365 ilhas, incluindo a famosa Ilha Grande, que é um verdadeiro refúgio para os amantes da natureza. Muitas das ilhas em Angra são acessíveis apenas de barco, proporcionando um ambiente mais reservado.  Isso por si só já cria uma seleção natural de visitantes. Quem chega, é porque quis chegar de verdade. 

No outono, a experiência náutica de Angra atinge seu equilíbrio ideal: o mar está suficientemente calmo para passeios de barco entre as ilhas, a visibilidade subaquática melhora progressivamente, e a ausência de veranistas devolve às praias a privacidade que as tornou famosas. Para casais e famílias em busca de uma experiência mais exclusiva sem pagar tarifa de alta temporada, o outono em Angra é uma das melhores relações custo-benefício do litoral fluminense. 

Ilha do Cataguá no litoral de Angra (Crédito: Reprodução)

Colonial por fora, selvagem por dentro 

O outono é a melhor época para explorar a Rio-Santos e aproveitar praias sem chuva nem engarrafamento. E Paraty é a joia dessa rota. Chamada de “Ouro Preto com praia”, a apenas 250 km da capital, a cidade histórica parece ter parado no tempo, com o charmoso Centro Histórico tombado como Patrimônio Nacional. A gastronomia local, com forte influência caiçara, é uma atração à parte. Mas o que muita gente subestima é o quanto Paraty também é um destino de praia de altíssimo nível. 

A região abriga praias, ilhas e trilhas que conectam mata, rios e mar, além de festivais literários, gastronômicos e culturais que movimentam o calendário local ao longo do ano. No outono, as embarcações que partem do centro histórico em direção às ilhas da Baía de Paraty encontram um mar tranquilo e águas cristalinas, sem aquele turbilhão de escunas abarrotadas do verão. A combinação de centro colonial, culinária caiçara e praias selvagens acessíveis por barco torna Paraty um destino raro: igualmente encantador para quem prefere a história e para quem prefere o mar. 

Ilha do Pelado no litoral de Paraty (Crédito:Reprodução)

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