PL e PT apostam alto para ampliar bancadas e conquistar maioria no Senado

Partidos lideram investimentos do fundo eleitoral nas candidaturas à Casa e miram uma eleição que renovará 54 das 81 cadeiras; corte é responsável por indicações e impeachment de ministros do STF e aberturas de CPIs

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PL e PT transformaram a eleição para o Senado em uma das principais frentes de suas estratégias nacionais em 2026. As duas legendas lideram os investimentos do fundo eleitoral nas candidaturas à Casa e tentam ampliar suas bancadas em uma votação que renovará dois terços das cadeiras. Além da força para aprovar projetos e emendas constitucionais, a composição que sair das urnas terá influência direta sobre indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), CPIs e processos de impeachment de ministros da Corte.

Levantamento da Revista Veja, baseado nas prestações de contas dos partidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o PL destinou mais de R$ 100 milhões às campanhas para senador. O valor representa quase um quarto dos R$ 465 milhões aplicados por todas as legendas nessas candidaturas. O PT aparece em segundo lugar, com R$ 57,2 milhões. Juntos, os dois partidos concentram 14 das 20 campanhas mais caras ao Senado, sendo dez delas do PL.

PL espalha candidatos pelo país

A estratégia do PL combina volume de recursos e presença nacional. Segundo a Veja, a legenda tem 33 candidatos envolvidos na corrida pelo Senado, com investimento médio de R$ 3,2 milhões por candidatura. Entre os nomes de maior projeção estão Michelle Bolsonaro, no Distrito Federal, e Carlos Bolsonaro em Santa Catarina.

A ofensiva não se limita aos candidatos formalmente filiados ao partido. O campo político ligado ao PL também aposta em aliados de outras siglas, entre eles Guilherme Derrite (PP), em São Paulo, e Marcel van Hattem (Novo), no Rio Grande do Sul. A estratégia busca aumentar o número de senadores alinhados às pautas defendidas pela direita, mesmo quando as cadeiras não forem conquistadas diretamente pela legenda.

Entre as bandeiras defendidas por integrantes desse campo estão a anistia aos condenados pelos atos relacionados ao 8 de Janeiro e pedidos de impeachment de ministros do STF. A abertura e o processamento de impeachment de ministros do Supremo estão entre as competências constitucionais do Senado.

PT busca reforçar bancada e construir alianças

O PT adotou movimento semelhante, embora com menos candidatos e recursos. A legenda lançou 19 nomes ao Senado e registra investimento médio de R$ 2,9 milhões por candidatura, segundo o levantamento publicado pela Veja. Entre as principais apostas estão Gleisi Hoffmann, no Paraná; Rui Costa, na Bahia; e Benedita da Silva, no Rio de Janeiro.

A estratégia petista também passa pela eleição de aliados fora do partido. Cid Gomes (PSB), no Ceará, e Helder Barbalho (MDB), no Pará, são citados pela revista entre os nomes apoiados pelo campo governista. No Rio, Lula chegou a pedir apoio ao candidato Pedro Paulo (PSD), numa tentativa de fortalecer candidaturas alinhadas ao governo para as duas vagas em disputa.

No cenário fluminense, a disputa mostra como as estratégias nacionais se refletem nos estados. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 23 de setembro colocou Benedita com 32%, enquanto Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, apareciam com 16,8% e 16,2%, respectivamente. Marcelo Crivella (Republicanos), com 19,5%, e Pedro Paulo (PSD), com 17,3%, integravam o grupo tecnicamente empatado pela segunda cadeira.

Senado terá papel decisivo no próximo governo

A dimensão da disputa é ampliada pela renovação de 54 das 81 cadeiras neste domingo (4). O Senado ainda é responsável por sabatinar e decidir sobre indicações presidenciais ao STF, além de participar da aprovação de emendas constitucionais e exercer funções de fiscalização do Executivo.

Depois das urnas, outra batalha deverá começar: a eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027. O comando da Casa tem influência decisiva na definição da pauta e no andamento de CPIs e pedidos de impeachment. Assim, o investimento de PL e PT nesta eleição não mira apenas o número de cadeiras, mas a correlação de forças que poderá definir algumas das principais disputas políticas e institucionais do próximo mandato.

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