* Paulo Baía
Neste artigo, explora-se o conceito paradoxal de “irreversível” na política e eleições, destacando a volatilidade e elasticidade nas escolhas do eleitor, ressaltando que, em sua essência, nada é totalmente irreversível.
É evidenciado que, mesmo diante da flexibilidade das campanhas eleitorais, candidatos e partidos resistem, elaborando estratégias no “pôquer eleitoral” até o dia da votação. Surge, assim, a expressão “candidaturas irreversíveis”, que, diante das mutações políticas, permanecem como opções sólidas.
Ao analisar as eleições como um processo dinâmico, destaca-se que estas não pertencem exclusivamente a partidos ou candidatos, mas à população. As escolhas eleitorais são moldadas pelos humores momentâneos, desejos, necessidades e valores morais e éticos individuais.
Na projeção para as eleições municipais do Rio de Janeiro em outubro de 2024, identificam-se algumas candidaturas consideradas “irreversíveis”. Figuram nesse cenário Eduardo Paes (PSD), Tarcísio Mota (PSOL), Otoni de Paula (MDB), Alexandre Ramagem (PL), Pedro Duarte (Novo), Dani Balbi (PCdoB), Marcelo Queiroz (PP) e Martha Rocha (PDT).
É crucial ressaltar que, embora essas candidaturas se apresentem como “irreversíveis”, a dinâmica política pode surpreender. A análise destaca a complexidade do cenário eleitoral, onde as preferências da população desempenham papel crucial. As escolhas políticas e ideológicas pré-definidas são minoritárias, evidenciando a fluidez e imprevisibilidade inerentes ao processo eleitoral.
Em síntese, embora algumas candidaturas possam parecer sólidas neste momento, é crucial reconhecer que a verdadeira natureza da política é marcada pela reversibilidade. Os próximos meses reservam surpresas e reviravoltas, à medida que a população carioca se manifesta e redefine suas preferências, moldando assim o futuro político da cidade.
* Sociólogo, cientista político e professor da UFRJ.





