PDT abandona base aliada do governo Lula, mas nega que vá para a oposição

Após saída de Carlos Lupi do ministério, bancada critica condução do Planalto e se afasta formalmente

A bancada do PDT na Câmara dos Deputados decidiu nesta terça-feira (6) abandonar oficialmente a base aliada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adotando uma postura de independência no Congresso.

A informação foi publicada pelo portal G1, que ouviu membros do partido após a saída de Carlos Lupi do Ministério da Previdência Social. A escolha de Wolney Queiroz (PDT-PE) para substituir Lupi não acalmou os ânimos na legenda, que considerou a demissão um gesto de desrespeito.

Segundo o líder do PDT na Câmara, deputado Mário Heringer (MG), a decisão de deixar a base governista foi unânime. “A bancada compreendeu que, diante da forma como foi conduzida a saída de Lupi, não havia mais condições políticas de manter o alinhamento automático com o Planalto”, declarou o parlamentar. A legenda, no entanto, nega que passará a integrar a oposição. “Não vamos nos aliar ao PL. Continuamos defendendo pautas identitárias que dialogam com o governo, mas agora votaremos com liberdade”, explicou um dos deputados ouvidos pela reportagem.

Atualmente, o PDT conta com 17 deputados federais. A legenda esteve ao lado do governo Lula desde o início do terceiro mandato, em 2023, após apoiar o petista no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Naquele pleito, o PDT havia lançado candidatura própria, com Ciro Gomes, mas o desempenho aquém do esperado no primeiro turno acelerou o apoio a Lula contra Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, a substituição de Carlos Lupi foi interpretada como o desfecho de um processo de desgaste público e político do então ministro. Embora Lupi tenha pedido demissão formalmente na última sexta-feira (2), interlocutores do partido afirmam que ele já entrou na reunião com Lula ciente de que deixaria o cargo. A exoneração teria sido precedida por forte pressão política após denúncias de um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que colocaram a gestão da pasta sob intenso escrutínio.

Durante reunião com os deputados do partido nesta terça, Lupi defendeu seu legado à frente da Previdência. Segundo relatos de participantes, ele destacou os esforços da equipe para combater irregularidades no INSS e negou qualquer envolvimento com os desvios investigados. “As investigações não encontrarão qualquer ilegalidade cometida por mim. Saio de cabeça erguida”, teria afirmado o ex-ministro.

Internamente, lideranças do PDT avaliam que a maneira como Lupi foi retirado do governo reabre a discussão sobre o futuro da legenda na próxima eleição presidencial. A possibilidade de lançar candidatura própria em 2026 volta a ganhar força, segundo integrantes da bancada, diante do enfraquecimento da relação com o Planalto.

A escolha de Wolney Queiroz, deputado licenciado do próprio PDT, para assumir o comando da Previdência não foi suficiente para conter a insatisfação. Parlamentares afirmaram que ele não representa a bancada na Câmara. A decisão de rompimento, embora sem caráter oposicionista, sinaliza um novo momento de distanciamento do governo Lula, com potencial impacto nas votações de projetos de interesse do Executivo.

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