Passados 39 dias do início das chuvas que inundaram grande parte do Rio Grande do Sul, as empresas de distribuição de energia e água conseguiram retomar quase plenamente as operações no estado, enfrentando apenas alguns problemas pontuais. Com o escoamento parcial da água nos 471 municípios afetados, a rotina de algumas cidades começa gradualmente a voltar ao normal. Em Porto Alegre, por exemplo, dos 46 bairros alagados no auge da tragédia, hoje apenas dois permanecem nessa condição.
A rodoviária, localizada no Centro Histórico, voltou a operar parcialmente nesta sexta-feira. Inicialmente, são 92 horários de embarque, de 52 linhas, atendendo a 116 municípios do estado. Segundo o governo gaúcho, a expectativa é de que mais linhas sejam disponibilizadas em breve.
As empresas responsáveis pela distribuição de energia para 453 dos 497 municípios do estado são a RGE e a EEEC Equatorial.
A Equatorial, que atende 72 cidades das regiões Metropolitana, Sul, Centro-Sul, Campanha, Litoral Norte e Litoral Sul, chegou a ter, no auge, 174 mil clientes sem energia, incluindo os que tiveram o fornecimento cortado por segurança devido a áreas alagadas, atendendo a solicitações da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e das prefeituras. Atualmente, são 1,5 mil clientes nessa condição, com a energia desligada por precaução em regiões ainda inundadas.
A Corsan Aegea, responsável pelo fornecimento de água, opera normalmente desde o dia 21 de maio. Os sistemas de abastecimento atingidos pelas cheias em 67 cidades foram totalmente recuperados, segundo informou a companhia. Conforme o boletim emitido pelo Centro de Operações Integrada no último dia 24, os primeiros imóveis de Guajuviras, o último bairro desabastecido, já recebiam água.
No pico da cheia, 906 mil pontos ficaram sem abastecimento no Rio Grande do Sul, nos 317 municípios atendidos pela Corsan Aegea. Para a normalização do serviço, foi necessário o uso de três helicópteros, um avião, dois carros anfíbios, cinco equipes de mergulhadores, duas equipes de rapel, 30 poços perfurados, 120 geradores, 148 caminhões-pipa, 85 reservatórios temporários e barcos, com mais de 5 mil colaboradores envolvidos. Com o fornecimento de água já restabelecido, a empresa trabalha agora em manutenções e ocorrências pontuais.
Com a cheia do Guaíba, que permaneceu acima da cota de inundação por um mês desde o início da tragédia, a maioria das cidades banhadas pelo corpo hídrico foi afetada.
Porto Alegre, em particular, ficou tomada pelas águas turvas, com 46 bairros da capital gaúcha parcialmente submersos. Atualmente, as inundações ainda atingem apenas Sarandi e Arquipélago.
Na próxima segunda-feira, uma escola municipal e 12 estaduais de Porto Alegre vão voltar a funcionar. Elas se juntam a outras 303 unidades de ensino públicas que já haviam retomado as atividades, além de 190 conveniadas.
Apenas 15 escolas seguem sem previsão de retorno: 14 estão alagadas e uma serve de abrigo. Quatro universidades gaúchas também pretendem retomar as atividades presenciais na próxima semana. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no entanto, mantém as aulas suspensas.
Com informações de O Globo.





