Paes e Ceciliano selam reconciliação e aproximam PSD e PT no Rio

Após troca de ataques, prefeito reforça palanque para Lula e busca consolidar frente eleitoral no estado

Um mês após protagonizarem um embate público com acusações e ironias, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o secretário de Assuntos Legislativos do governo federal, André Ceciliano (PT), se reuniram nesta sexta-feira, em almoço na capital fluminense, e selaram uma reconciliação com efeitos diretos no cenário eleitoral do estado, informa O Globo.

O encontro ocorreu em meio às articulações para a sucessão no governo do Rio e reforçou a aproximação entre PSD e PT. Paes voltou a sinalizar que dará palanque no estado à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após ter oferecido a vaga de vice em sua chapa a aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Declaração sela reaproximação política

A reconciliação foi confirmada publicamente por Ceciliano, que reforçou o alinhamento eleitoral com o prefeito.
“Eu disse ao Eduardo que, se ele falar que é 100% Lula, eu também sou 100% Eduardo Paes. Ele fará campanha para o presidente Lula, que é a nossa prioridade na eleição deste ano”, disse Ceciliano ao Globo.

Nas redes sociais, o petista publicou uma mensagem defendendo o entendimento político, afirmando que “não há briga que não possa terminar com um abraço e um bom aperto de mão”, ao compartilhar uma foto da campanha de 2022 ao lado de Paes e Lula.

Origem do conflito e acusações

O atrito entre os dois começou em janeiro, quando Paes acusou Ceciliano de tentar disputar o governo do Rio com apoio do presidente afastado da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, sugerindo que a movimentação teria ligação com “práticas de conexão com o crime”. Bacellar foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.

Ceciliano reagiu na ocasião ironizando o prefeito e citando a “fala nervosinha”, referência ao apelido atribuído a Paes em delações da Lava-Jato. O episódio elevou a tensão política no estado e expôs a disputa por espaço na corrida eleitoral.

Disputa pelo governo e eleição indireta

A divergência está diretamente ligada à possibilidade de uma eleição indireta para o governo estadual. O governador Cláudio Castro (PL) deverá deixar o cargo até abril para concorrer ao Senado. Assim, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro terá até maio para escolher um governador-tampão, com mandato até o fim do ano.

Por já ter presidido a Alerj e manter boa interlocução com deputados, Ceciliano passou a ser visto como possível candidato, o que gerou desconfiança no entorno de Paes. Interlocutores do prefeito avaliam que ele ainda não tem um nome competitivo para essa disputa interna.


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