RICARDO BRUNO
O prefeito Eduardo Paes orientou a base pela aprovação do projeto que prevê o armamento da Guarda Municipal, em discussão nesta terça-feira na Câmara do Rio. O presidente da Casa, Carlo Caiado, também concorda com a mudança. Mas faz ressalvas: propõe a criação de um grupamento armado – não toda corporação – que teria atuação em áreas turísticas como Copacabana e Barra da Tijuca. “Assim, a PM seria liberada para atuação no combate às grandes facções do crime”.
É possível que o projeto não seja votado hoje. Como se trata de mudança na Lei Orgânica são necessários votos favoráveis de 2/3 dos vereadores. Ou seja 34. Até agora foram contabilizados 30 votos.
Com o debate e a proposição de emendas que fixariam o escopo da atuação do grupamento armado acredita-se que a proposta possa avançar, com a adesão de pelo menos mais 4 vereadores. Se não forem contabilizados os votos favoráveis, o projeto não deverá ser posto em votação.
Há algumas defecções na base quando o tema entra em debate. O veterano Jorge Felipe (PP) e o vereador Ulisses Marins (União) são contra. Em compensação, os oposicionistas Carlos Bolsonaro(PL), Felipe Michel (PP) e Rogério Amorim votam pela aprovação.
A linha de corte não passa exatamente pelo tamanho da base do prefeito. Tem natureza ideológica. O Psol (7 votos) e o PT (3) são contra. A abstenção pode ser também um problema. Se oito vereadores se somarem ao grupo contrário ou simplesmente deixarem de comparecer à sessão, o projeto não passa.
Das 26 capitais brasileiras, 20 tem guardas municipais armadas.
Noves fora o debate ideológico, a análise do tema leva a crer que a criação de um grupamento, com guardas preparados para a missão, pode sim contribuir para a segurança dos cariocas em áreas com incidência de delitos de menor potencial. Como, por exemplo, furtos e roubos de celulares nas avenidas Atlântica e Sernambetiba.
Isto é bem diferente da “distribuição de armas sem qualquer critério à corporação”, como vociferam os adversários do projeto.





