No Brasil, o talento artístico às vezes é valorizado de forma tão controversa que até o crime dá samba. Entre roubar a Mona Lisa —episódio que completou 114 anos —, invadir museus cariocas durante o Carnaval ou furtar quadros de um dos museus mais prestigiados de São Paulo, a audácia dos gatunos não conhece limites. Nem mesmo o INSS escapou da criatividade nacional: em uma situação digna de comédia de erros, retratado no documentário “Mercado de Notícias”, um malandro pagou uma dívida milionária com o que todo mundo acreditou ser um quadro valioso, mas que na verdade era um pôster, provando que nem sempre o dinheiro ou a arte estão bem assessorados.

O Museu da Chácara do Céu, em 2006, viu desaparecer obras de Picasso, Monet, Matisse e Dalí avaliadas em mais de US$ 50 milhões, enquanto ninguém foi preso. Um ano depois, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) foi alvo de um furto-relâmpago: dois quadros, incluindo um Portinari e um Picasso, foram levados em menos de três minutos, só sendo recuperados semanas depois. E, em 2004, a residência da colecionadora Graziela Lafer Galvão foi invadida, rendendo a prisão de três suspeitos e o sumiço temporário de obras de Portinari e Di Cavalcanti. A sequência de eventos sugere que, no Brasil, a arte é tão apreciada que a própria segurança parece desejar que os quadros circulem livremente.

Entre crimes de gala e lapsos administrativos, a lição é clara: a arte no Brasil não é apenas para contemplação; às vezes, ela é levada à força, avaliada em milhões e, em alguns casos, confundida com pôsteres decorativos. É uma galeria de ironias concretas, que prova que nem sempre o valor artístico anda de mãos dadas com a vigilância e o bom senso. E se você pensou que o maior roubo de arte Brasil seria uma obra-prima sendo tramada por um gênio do crime, prepare-se para se surpreender com a criatividade e a ousadia dos nossos ladrões.

‘Picasso do INSS’ também foi alvo de ladrões | Crédito: Reprodução

O roubo da Mona Lisa

No dia 21 de agosto de 1911, o mundo foi abalado pela notícia de que a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, havia sido roubada do Museu do Louvre, em Paris. O autor do crime? Vincenzo Peruggia, um italiano que trabalhava como vidraceiro no museu. Ele escondeu-se durante a noite e, no dia seguinte, simplesmente retirou a pintura da parede e a levou para sua casa em Paris. A motivação? Peruggia acreditava que a obra deveria retornar à Itália, seu país de origem. A Mona Lisa foi recuperada em 1913, quando Peruggia tentou vendê-la a um antiquário em Florença e acabou preso.

O maior roubo de arte do Brasil: Museu da Chácara do Céu

Em 24 de fevereiro de 2006, um bando armado invadiu o Museu da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, e realizou o maior roubo de obras de arte da história do Brasil. Quatro pinturas foram levadas: “A Dança” (Pablo Picasso), “Marinha” (Claude Monet), “O Jardim de Luxemburgo” (Henri Matisse) e “Os Dois Balcões” (Salvador Dalí), avaliadas em mais de US$ 50 milhões (mais de R$ 273 milhões na cotação atual). O roubo ocorreu em pleno Carnaval, quando a cidade estava em festa, e permanece sem solução até hoje. Nenhuma das obras foi recuperada e ninguém foi preso.

O furto ao Masp

Em 20 de dezembro de 2007, o Masp foi alvo de um ousado furto. Dois quadros foram levados: “O Lavrador de Café” (Cândido Portinari) e “Retrato de Suzanne Bloch” (Pablo Picasso), avaliados em cerca de R$ 100 milhões. Os criminosos entraram no museu durante a madrugada e furtaram as obras em menos de três minutos. As telas foram recuperadas em janeiro de 2008, em uma casa na Grande São Paulo, e quatro pessoas foram condenadas pelo crime.

‘O Lavrador de Café’ (1939), de Portinari: obra foi furtada no Masp | Crédito: Reprodução

O roubo à casa de uma colecionadora

Em março de 2004, a colecionadora Graziela Lafer Galvão foi surpreendida por um trio de criminosos armados que invadiu sua residência e levou obras de arte de renomados artistas brasileiros, incluindo Cândido Portinari e Di Cavalcanti.

As obras, avaliadas em aproximadamente R$ 20 milhões, foram localizadas nas proximidades da igreja Nossa Senhora do Ó, na Freguesia do Ó, Zona Norte de São Paulo, e os três suspeitos foram detidos pela polícia. 

Este episódio se destaca como um dos maiores roubos de arte no Brasil, evidenciando não apenas a vulnerabilidade de colecionadores particulares, mas também a audácia dos criminosos em almejar obras de alto valor. A recuperação das peças e a prisão dos envolvidos foram comemoradas como uma vitória para a segurança e a preservação do patrimônio artístico nacional.

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