Antes do bronze, veio o Américo Vespúcio, lá em 1503, aportando com aquele jeitinho de europeu em esquete do Porta dos Fundos dizendo “com licença que a gente veio tomar tudo isso aqui”, ignorando completamente que já tinha gente morando ali há milhares de anos vivendo em paz, pescando seu peixinho e curtindo o paraíso na rede sem precisar postar foto no Instagram. Hoje Cabo Frio ostenta o título de sétima cidade mais antiga do Brasil, embora historiadores vivam discutindo essa classificação como se fosse a final da Libertadores entre o Flamengo e o Palmeiras.
Foi em 13 de novembro de 1615 que nasceu oficialmente a Vila de Santa Helena do Cabo Frio, nome que com o tempo virou só Cabo Frio, provando que até cidades passam por aquela fase teen de encurtar o nome para parecer mais descolada. A partir dali começou a festa colonial, com piratas franceses, holandeses e portugueses disputando o litoral como se fosse o último pedaço de bolo na mesa do café. Spoiler alert: ninguém perguntou opinião para os povos originários, que já estavam por lá desde mais ou menos 1500 a.C. segundo os arqueólogos.
Mas o charme do lugar nunca parou. Lá está o Forte São Mateus, construído em 1618, firme e forte até hoje, observando o mar como seu irmão mais velho, aquele que já viu de tudo e só levanta a sobrancelha quando percebe que o visitante não trouxe gelo o suficiente para esfriar a cerveja. Enquanto isso, as dunas gigantes do Peró, apelidadas de “Lençóis Fluminenses”, seguem provando que a natureza tem senso de humor: são 457 hectares de areia branquinha e piscinas naturais muito parecidas com suas irmãs maranhenses;
E entre uma praia para família, outra para surfista, outra para naturista e outra para quem só quer uma foto bonita sem vento detonando o penteado, Cabo Frio ainda oferece ilha zen, museu do surfe, caverna misteriosa e até um dormitório de garças, porque na cidade onde pirata já tentou invadir e turista invade até hoje, alguém precisa descansar em paz. No fim das contas, Cabo Frio é para quem gosta de história, de paisagem e também de admitir que, às vezes, a gente não conhece nem metade do que acha que conhece sobre o litoral fascinante do Rio de Janeiro.

Origem
Em 1503, um certo Américo Vespúcio foi o primeiro navegador a aportar naquela costa dando início à invasão europeia no Rio de Janeiro. Por essas e outras a cidade ostenta a fama de ser a sétima mais velha do Brasil.
A partir daí é puro suco de polêmica entre os historiadores sobre quem foi quem neste ranking insensato. O que ninguém discute é que em 13 de novembro de 1615 foi fundada a vila de Santa Helena do Cabo Frio, uma das mais antigas localidades do período colonial.
Os povos originários, entretanto, já moravam lá, espertos, desde 1.500 AC segundo os arqueólogos. E há vestígios de presença humana na área com mais de seis mil anos.
“Cabo Frio” vem do cabo (um promontório que avança no oceano) e da temperatura mais fria da água marinha naquela ponta costeira em comparação a outras partes próximas.
Com o tempo e um sem-fim de tretas, piratas, invasões, traficantes que já renderam e renderão outros muitos e muitos livros espetaculares de história (mas que não cabem nesse humilde espaço), o nome popularmente foi reduzido para apenas Cabo Frio.
Qual a importância do Forte São Mateus para a cidade?
Ele é provavelmente o cartão-postal mais conhecido de Cabo Frio.
Localizado sobre uma ilhota rochosa na extremidade nordeste da Praia do Forte, o Forte São Mateus, foi construído em 1618 pelos portugueses, com o objetivo de defender o cabo e o canal de piratas franceses ou holandeses, que viviam de olho nas riquezas da região.
O monumento histórico oferece uma vista panorâmica do mar e é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O que são os lençóis fluminenses?
O apelido se refere aos 457 hectares de areais, o equivalente a 641 campos de futebol, que formam o Campo de Dunas da Praia do Peró, comparadas aos Lençóis Maranhenses por sua paisagem de tirar o fôlego, com dunas branquinhas, piscinas naturais e um charme quase secreto que lembra o famoso parque maranhense.
A comparação ganhou força quando o guia Henrique Nascimento descobriu o local em 2019 e começou a divulgar imagens que deixaram muita gente de queixo caído.
E não é só beleza: o ecossistema das dunas do Peró inclui restinga, brejos e praia, tudo isso resistindo bravamente à especulação imobiliária e aos planos frustrados de resorts que nunca saíram do papel.
O que é a Ilha do Japonês?
Localizada entre a Praia Brava e a Praia do Forte, no Canal do Itajuru, essa ilha tem um clima tão zen que deve ser por isso que ganhou este nome. É um daqueles lugares de cartão-postal, com águas calmas, cristalinas e areias branquinhas.
Os destemidos podem encarar a ida até lá tanto na maré alta ou baixa, mas também há acesso por barcos. Mas atenção: não tem estrutura turística, então leve tudo o que for precisar. Principalmente paciência, se for em fim de semana.
Qual é a fama do bairro da Passagem?
O bairro da Passagem é um dos mais antigos e charmosos de Cabo Frio, conhecido por sua arquitetura colonial preservada, com casinhas coloridas, ruas de pedra e atmosfera tranquila.
Parece uma versão miniatura do centro histórico daquela cidade na Costa Verde que abriga a Flip. Localizado às margens do Canal do Itajuru, o bairro oferece uma vista privilegiada para o pôr do sol e para os barcos que cruzam o canal.
O que é o Boulevard Canal?
O Boulevard Canal em Cabo Frio é tipo a Orla Bardot de Búzios, só que com mais escunas, menos celebridades e a vibe de ser o lugar onde tudo acontece.
Tem restaurantes para todos os bolsos e gostos, bares animados, boates estilosas e aquele calçadão perfeito para contemplar o pôr do sol com uma caipirinha na mão.
De dia é dali que saem os passeios de escuna rumo às praias e ilhas da região. À noite, o lugar se transforma num palco a céu aberto da vida noturna cabo-friense, com luzes piscando, música rolando e gente bonita circulando e paquerando.
A vista mais bonita da cidade
O Morro da Guia é o ponto mais alto de Cabo Frio e oferece uma vista panorâmica de tirar o fôlego. Lá do alto, você vê Cabo Frio em 360 graus: praias, cidade, canal e até o horizonte dando tchauzinho.
No topo, está a charmosa Capela de Nossa Senhora da Guia, construída em 1740, que é tipo a cereja histórica do bolo. Pequena, branca e com arquitetura colonial, ela só abre em datas festivas.
Vamos falar de praias?
Em Cabo Frio, cada praia tem seu tempero. A das Conchas é aconchegante, Peró é vibrante, a Brava é braba mesmo e a das Dunas dá até para chamar de dramática.
A Praia das Conchas, que parece ter sido desenhada com régua e compasso, tem formato de conchinha mesmo. É uma baía semicircular com águas calmas e cristalinas, ideal para famílias, crianças e quem quer nadar sem virar acrobata.
Cercada por morros e vegetação, oferece uma vista linda e ainda tem quiosques para matar a fome com aquele peixinho frito e água de coco gelada. É vizinha da Praia do Peró, então dá para fazer um combo perfeito.
Falando nela, a Praia do Peró é a queridinha dos surfistas e dos que gostam de uma vibe mais selvagem, porém com estrutura. Tem ondas fortes, areia clara e extensa, e é cercada por áreas de preservação ambiental.
Já a Praia Brava é para os corajosos e os que gostam de exclusividade. O acesso é por trilha, o mar é agitado e a faixa de areia é pequena, mas o visual compensa. Aqui, organizando direitinho todo mundo se diverte: à esquerda fica a galera do surfe e, do lado direito da praia, o pessoal do naturismo.
Por fim, a Praia das Dunas é uma extensão da Praia do Forte, mas com menos gente e mais areia. Literalmente: as dunas gigantes que cercam a praia são um espetáculo à parte. O mar é bravo, ótimo para quem gosta de ondas, e o cenário é perfeito para fotos dignas de capa de revista. Quando o papo é de praia, Cabo Frio não economiza na beleza.

Falando em praias, lá tem uma Rua dos Biquinis?
Sim, a Rua dos Biquínis de Cabo Frio é reconhecido pelo Guinness Book como o maior polo de moda praia a céu aberto do planeta, com mais de 100 lojas especializadas e uma história curiosa que começou com uma costureira e sua amizade com uma atriz famosa.
Tudo começou em 1953, quando a costureira Nilza Rodrigues Lisboa copiou moldes de roupas emprestadas a ela pela atriz Tônia Carrero, que frequentava a região. Com uma máquina de manivela e à luz de lampião, Dona Nilza deu início a uma tradição que hoje é uma das principais atividades econômicas da cidade.
Recentemente, a rua passou por reformas para melhorar a infraestrutura, com restauração dos decks, jardins e mobiliário urbano, reforçando seu papel como cartão-postal e centro comercial turístico.
O lugar mais assustador de Cabo Frio
Pouco conhecida por turistas e até por moradores, a Caverna dos Escravos é um passeio que une história, natureza e reflexão sobre o passado. Um lugar que merece mais atenção e proteção, não só pelo seu valor arqueológico, mas pelo simbolismo que carrega.
Localizada dentro do Parque Estadual da Costa do Sol, a caverna tem cerca de 30 metros de extensão em alguns trechos chega a um pé-direito sete metros, e é cercada por histórias que misturam fatos e folclore.
Uma das versões mais conhecidas diz que ela foi escavada no período do Império para servir como depósito de munições, mas com o tempo acabou virando esconderijo de pessoas escravizadas que fugiam em busca de liberdade.
O que mais tem para fazer por lá?
O “Espaço Cultural do Surfe” é um museu com mais de 2.500 peças ligadas ao esporte, como pôsteres, troféus e mais de 800 pranchas, muitas delas de surfistas famosos.
Outra opção é o “Dormitório das Garças”, nome popular dado ao parque ecológico municipal. O nome vem justamente do fato de que essa área funciona como dormitório para as aves, que chegam em bandos ao fim do dia.
É praticamente um grande deck sobre uma área de manguezal preservado de onde dá até para ver um ou outro caranguejo dando sopa.
Como chegar?
Partindo da Guanabara, são aproximadamente 160 km, o que dá cerca de 2 horas e meia de carro. De ônibus, há saídas diárias com tarifas a partir de R$ 71.


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