Mais de 80 anos após a consolidação do jogo do bicho como um dos principais negócios clandestinos do Rio, a estrutura de poder que sustenta o esquema permanece ativa. Apesar de ser ilegal e alvo de diversas operações das polícias Civil e Federal ao longo das últimas décadas, nomes conhecidos no esquema de contravenção e novos rostos ainda ditam as regras em pontos estratégicos em todo o estado do Rio, principalmente na capital.

Em comum, os atuais chefes preservam três características centrais: controle territorial, proteção institucional e capacidade de violência. Veja agora a lista dos sete chefões do jogo do bicho no Rio.

Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho

Adilsinho, apontado como um dos nomes fortes da contravenção no Rio | Divulgação

Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, ficou conhecido em 2021 ao organizar uma festa luxuosa no Copacabana Palace em plena pandemia de covid-19, episódio que causou revolta pela aglomeração em meio às restrições sanitárias. Mas sua fama vai muito além das polêmicas sociais: ele é apontado como um dos nomes fortes da contravenção no Rio, com influência no comércio ilegal de cigarros.

Segundo investigações, Adilsinho comanda uma estrutura que domina o jogo do bicho em pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses, com atuação principal na Região Metropolitana. Seu grupo, que defende a criação de uma “nova cúpula”, teria avançado ainda sobre territórios que eram controlados por Bernardo Bello, atualmente foragido, tomando pontos estratégicos nas zonas Sul, Norte e central da capital.

Assim como outros contraventores históricos do Rio, Adilsinho também buscou prestígio no mundo do carnaval. Em 2024, passou a ocupar o cargo de presidente de honra do Acadêmicos do Salgueiro. A escola não confirmou se ele permanece com o título.

A Polícia Civil do Rio aponta a existência de um grupo de extermínio vinculado ao seu nome. A instituição apura ao menos 20 crimes atribuídos à atuação dessa organização, entre eles assassinatos, tentativas de homicídio e um sequestro. Em novembro de 2024, a Justiça decretou sua prisão. Ele é considerado foragido e há suspeitas de que tenha deixado o Brasil.

Adilsinho também foi indiciado como possível mandante dos assassinatos de Marco Antônio Figueiredo Martins, o Marquinhos Catiri, aliado de Bernardo Bello, e de seu segurança, Alexsandro (conhecido como Sandrinho). A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta conexões diretas entre o contraventor e o policial militar Rafael do Nascimento Dutra, apelidado de Sem Alma, acusado de liderar o grupo de extermínio supostamente a serviço do bicheiro.

Bernardo Bello

Em 2022, Bernardo foi preso na Colômbia | Divulgação

A ascensão de Bernardo Bello ao jogo do bicho é marcada por rompimentos familiares, violência e uma longa lista de suspeitas criminais. Ex-genro de Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, um dos bicheiros mais poderosos da história do Rio, Bello rompeu com a família Garcia e travou uma guerra interna pelo controle do espólio deixado após a morte do sogro, em 2004.

Embora não fosse o herdeiro natural do clã, já que Maninho tinha um irmão, Alcebíades Paes Garcia (o Bid), e três filhos, as gêmeas Shanna e Tamara, além de Mirinho, Bello, que era casado com Tamara, conseguiu se impor. Investigações apontam que sua tomada de poder envolveu uma série de mortes.

Waldomiro Júnior, o Mirinho, foi sequestrado e morto aos 27 anos, em 2017. Anos depois, em 2019, Shanna Garcia sobreviveu a um atentado a tiros na Barra da Tijuca, e acusa Bello de ser o mandante do ataque. A família acredita, inclusive, que ele está diretamente ligado a morte do caçula de Maninho.

Em 2022, Bernardo foi preso na Colômbia por agentes da Interpol, por conta de um mandado internacional relacionado ao assassinato de Bid. Após quatro meses detido, foi solto por decisão judicial e voltou ao Brasil para responder às acusações em liberdade.

As investigações apontam que o principal motivo da guerra interna seria a herança deixada por Maninho, estimada em cerca de R$ 25 milhões.

Bernardo também se envolveu com o Carnaval e chegou a assumir o cargo de presidente da escola de samba Unidos de Vila Isabel, com apoio do veterano contraventor Capitão Guimarães (falaremos dele mais tarde).

Outro crime atribuído à ele é o assassinato do advogado Carlos Daniel Dias André, morto em Niterói, em maio de 2022. Segundo a denúncia, a vítima teria mediado uma disputa que contrariou os interesses de Allan Diego Magalhães Aguiar, ex-cunhado de Bello e operador financeiro de seu grupo.

Atualmente, Bernardo Bello está foragido. Com sua ausência e perda de força no cenário, rivais teriam ocupado antigos territórios sob seu domínio, em principal na Zona Sul do Rio, em bairros como Copacabana.

Vinicius Drumond

Vinicius é filho do contraventor Luizinho Drumond | Reprodução

Apontado como um dos nomes da nova cúpula do jogo do bicho no Rio, Vinicius já ocupou o cargo de vice-presidente executivo da Imperatriz Leopoldinense e foi o principal alvo da Operação Ouro Negro, que apura o envolvimento de uma quadrilha especializada no furto de petróleo de dutos subterrâneos, com revenda clandestina para usinas de asfalto.

De acordo com investigações da Polícia Civil, Vinicius seria o cérebro por trás dessa operação criminosa. Seu nome também já foi relacionado a disputas armadas por pontos de jogo com o grupo de Bernardo Bello e chegou a ser citado no inquérito sobre o assassinato do advogado Rodrigo Crespo, em 2014, embora não tenha sido indiciado.

Ele é filho do contraventor Luizinho Drumond, morto em 2020, e aparece como articulador da expansão das áreas controladas por Rogério Andrade e Adilsinho. Ambos são apontados, junto a Vinicius, como parte da chamada “Santíssima Trindade” do bicho, grupo que vem tomando territórios por meio de acordos com antigos líderes ou conflitos violentos. Os três negam envolvimento com atividades ilegais.

Relatórios da Delegacia de Homicídios também apontam o trio como possível mandante do assassinato de Marquinho Catiri, miliciano executado em 2022 ao sair de uma academia. A motivação seria a tentativa de tomar áreas antes controladas por Bernardo Bello.

Vinicius teria herdado do pai pontos de jogo na região da Leopoldina, que inclui bairros como Parada de Lucas, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Vigário Geral, Maré, Manguinhos e Ramos. Na última terça-feira, foi anunciado como novo patrono da escola de samba Em Cima da Hora, da Série Ouro do Carnaval carioca, via redes sociais da escola.

Ele foi alvo de um ataque no dia 11 deste mês, quando passava de carro pela Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Em depoimento, Drumond disse que dirigia uma Porsche blindada quando percebeu a aproximação suspeita de um outro veículo. Em seguida, vieram os tiros. Ele sofreu apenas escoriações leves causadas por estilhaços de vidro. O carro foi atingido por mais de 30 disparos.

Rogério de Andrade

Rogério consolidou seu domínio sobre bancas de jogo do bicho | Reprodução

Sobrinho e ex-braço direito do lendário Castor de Andrade, Rogério de Andrade assumiu parte do império do jogo do bicho após a morte do tio, em 1997, vítima de um infarto. A divisão da herança entre os sucessores do bicheiro foi conturbada, ele disputou espaço com o primo Paulo Roberto de Andrade, filho de Castor, e com Fernando Iggnácio, genro do contraventor.

A rivalidade entre os três terminou em tragédia. Paulo foi assassinado em 1998, e Fernando, em 2020, executado em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes. Em ambos os casos, Rogério foi apontado por investigadores como o mandante dos crimes. Em relação à morte de Paulo, o ex-policial militar Jadir Simeone Duarte confessou ter sido o autor dos disparos e acusou Rogério de ter encomendado o homicídio.

Com a ausência de concorrentes, Rogério consolidou seu domínio sobre bancas de jogo do bicho e máquinas caça-níqueis em diversos pontos da cidade, especialmente na Zona Oeste, com forte presença em bairros como Bangu, Campo Grande, Realengo, Santa Cruz, além do Centro do Rio.

Andrade também seguiu os passos do tio no Carnaval. Tornou-se patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola historicamente ligada à família Andrade. Sua esposa, Fabíola, é rainha de bateria da agremiação.

Em 2001, o contraventor sobreviveu a um atentado a bomba que matou seu filho, então com 17 anos, em plena Barra da Tijuca. Ele sofreu ferimentos graves no rosto e precisou passar por diversas cirurgias.

Atualmente, Rogério de Andrade está preso no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio.

Marcelo Simões Mesqueu, o Marcelo Cupim

Atualmente, Marcelo Cupim está preso | Reprodução

Marcelo Simões Mesqueu, mais conhecido como Marcelo Cupim, é outro nome novo do crime organizado no Rio. Ele é investigado pela morte de Haylton Escafura, filho do veterano bicheiro Piruinha, morto em janeiro deste ano devido a uma parada cardiorrespiratória. Atualmente, o contraventor está preso.

Segundo o MP, o assassinato teve como motivação a disputa por territórios na Zona Norte da cidade. Escafura, que havia deixado a prisão meses antes, estaria tentando reaver áreas que pertenceram ao pai e teriam sido tomadas por Marcelo durante sua ausência.

Cupim foi preso no início de julho, em sua mansão na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, durante uma ação que reuniu o Ministério Público, a Delegacia de Homicídios e a Corregedoria da Polícia Militar. Ele já fora detido anteriormente pela Polícia Federal em novembro de 2023, quando levava a filha à escola, acusado de chefiar uma organização criminosa voltada à exploração de jogos ilegais, corrupção e lavagem de dinheiro.

Essas acusações fazem parte da Operação Fim da Linha, do Ministério Público do Rio (MPRJ), deflagrada em 2022. Na época, também foi alvo da ação o bicheiro Bernardo Bello, atualmente foragido. Durante as investigações, policiais apreenderam R$ 435 mil em espécie na casa de um sargento da PM apontado como integrante do esquema liderado por Marcelo e Bello.

Após a primeira prisão, Marcelo passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e obrigação de comparecimento mensal à Justiça.

A 4ª Vara Criminal do Rio expediu, além do mandado de prisão contra Cupim, outros 15 de busca e apreensão. Os alvos incluíam seis suspeitos de participação no crime, entre eles dois policiais militares. Foram feitas buscas em endereços na capital fluminense, na Região dos Lagos e até em Florianópolis (SC).

Na casa do bicheiro, os investigadores encontraram dinheiro em espécie, cheques e munições. A apuração conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado) indica que Marcelo teria contratado matadores do grupo conhecido como Escritório do Crime para executar Haylton.

Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães

Capitão Guimarães, membro da antiga cúpula do jogo do bicho | Reprodução

Membro da velha cúpula e um dos mais antigos bicheiros do estado, Aílton Guimarães Jorge, conhecido como Capitão Guimarães, é um dos nomes mais influentes na contravenção.

Com uma trajetória que começou nas Forças Armadas durante a ditadura militar, ele é acusado de ter participado de sessões de tortura contra presos políticos antes de ser expulso do Exército nos anos 1970 por envolvimento com o contrabando.

Após deixar a carreira militar, Guimarães encontrou na contravenção uma nova fonte de poder e riqueza. Começou explorando o comércio ilegal de bebidas, roupas e cigarros, e rapidamente ascendeu como ‘banqueiro’ do bicho. Em poucos anos, conquistou a região de Niterói e se consolidou como um dos principais líderes da cúpula do jogo no estado.

Como outros chefes da contravenção, também buscou visibilidade no Carnaval. Tornou-se patrono da Unidos de Vila Isabel e, ao lado de Castor de Andrade, fundou em 1984 a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), entidade que organizaria os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Guimarães foi presidente da Liesa em dois períodos distintos: entre 1987 e 1993, e de 2001 a 2007.

Ao longo das décadas, acumulou acusações e passagens pela Justiça. Em 2012, foi preso ao lado dos bicheiros Anísio Abraão David e Antônio Petrus Kalil, o Turcão, em uma ação derivada da Operação Hurricane, deflagrada em 2007 para investigar lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos no esquema do bicho.

Em 2022, foi preso sob suspeita de ter ordenado a morte de Fábio de Aguiar Sardinha, executado em 2020 em um posto de gasolina em São Gonçalo. Segundo o Ministério Público, a vítima teria desviado dinheiro da organização comandada por Guimarães. Os pontos do contraventor ficam, em principal, na Ilha do Governador, Niterói, São Gonçalo e no Espírito Santo.

No ano passado, capitão Guimarães teve a prisão domiciliar revogada por decisão da juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Desde então, ele vem comparecendo a eventos do carnaval, como o sorteio da ordem dos desfiles das escolas de samba. Neste ano, ele compareceu ao desfile da Vila Isabel, na Sapucaí, escola cujo o filho, Luiz Guimarães, é presidente.

Anísio Abraão David

Anísio raramente aparece em público fora dos eventos da escola | Reprodução / redes sociais

Aniz Abraão David, mais conhecido como Anísio, é um dos nomes mais longevos e influentes da contravenção no Rio de Janeiro. Com raízes em Nilópolis, na Baixada Fluminense, terra natal da escola de samba Beija-Flor, Anísio construiu seu império do jogo do bicho ao mesmo tempo em que projetava a agremiação como uma das mais queridas do Carnaval carioca.

Reservado, evita entrevistas e raramente aparece em público fora dos eventos da escola, mas sua autoridade nos bastidores da Beija-Flor é indiscutível. Mesmo com dificuldades de locomoção, ele costuma frequentar ensaios técnicos e os testes de luz e som na Sapucaí, sempre circulando em uma cadeira motorizada. É comum vê-lo distribuindo camisetas da agremiação nas arquibancadas.

Em 1993, foi condenado junto a outros 13 bicheiros após uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio. Anos depois, voltou a ser preso durante a Operação Hurricane, deflagrada pela Polícia Federal em 2007, que mirava o esquema de exploração de máquinas caça-níqueis.

O filho mais novo do contraventor, Gabriel David, foi eleito presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) no ano passado.

O jogo do poder que não tem fim

O Comissário de Polícia e escritor Daniel Gomes, que tem mais de 39 anos de experiência na segurança pública, explica que nunca houve uma repressão consistente contra o jogo do bicho. “Nos anos 90, os bicheiros colocavam e retiravam delegados, diretores da Polícia Civil e Militar. A lei sempre foi branda”, afirma.

Segundo ele, mesmo com a Lei de Organizações Criminosas, de 2013, os bicheiros seguem sendo tratados com certa leniência institucional. “Os bicheiros sempre foram tratados como contraventores e, no carnaval, como carnavalescos que bancavam as escolas de samba”, diz.

Ainda assim, ele afirma que é possível mapear quem está no comando, pois as áreas continuam divididas. “O estado é dividido em áreas, o que foi ditado pela cúpula mais antiga, que até hoje respeita essa divisão. Já os contraventores mais jovens, com a morte dos mais antigos, não respeitam o acordado, o que tem gerado mais crimes de execução, guerra pelo poder”.

O especialista se refere a “nova cúpula”, que se originou quando a família Garcia, na tentativa de retomar os lucros dos pontos tomados por Bernardo Bello, firmou um acordo com Rogério de Andrade e Adilsinho. O objetivo desses dois últimos era superar a ‘velha cúpula’, dando início a uma nova guerra por território.

Gomes destaca que os grupos ainda atuam com estrutura tradicional (apontadores, recolhedores, bancas), mas investiram em tecnologias como máquinas para fazer o próprio jogo e para pagamento. Muitos também diversificaram os investimentos em motéis, fazendas e imóveis. “Hoje, o bicho é um negócio lendário para eles.”

As investigações policiais, segundo ele, são lentas e dificultadas pela terceirização da violência: “Os mandantes terceirizam a contratação dos executores, ou seja, o contraventor teria um chefe de segurança que é o responsável pela contratação dos criminosos, fato que dificulta a produção direta de provas”.

O advogado criminalista e especialista em segurança pública Marcos Espínola concorda com Gomes ao afirmar que o jogo do bicho se sustenta graças à influência dos chefes regionais. Mas ressalta uma diferença central em relação à milícia e ao tráfico.

“Ainda que a violência exista na atuação da máfia do jogo do bicho, ela não é tão contundente, diária e expansiva como na milícia e no tráfico, ficando os homicídios focados mais nas próprias lideranças de cada grupo”, explica.

Espínola ressalta também que o bicho mantém influência sobre o Carnaval e a política por meio do financiamento das escolas de samba e da aproximação com as comunidades. Para ele, o tratamento brando no campo jurídico se dá porque o jogo, por si só, não atinge um bem jurídico relevante: “Pode até ser usado para encobrir outras atividades delituosas, mas não é a principal atividade”.

A legalização pode ser uma saída?

Questionado sobre a atuação das forças de segurança e do MP, Espínola diz que há blindagem: “Uma das maneiras que a máfia do jogo do bicho usa para se manter no poder é justamente através da ligação com membros do Executivo, Legislativo e Judiciário. Resta clara a proteção que integrantes do jogo do bicho possuem”.

Ele defende que a legalização pode ser uma solução viável, diferente da repressão fracassada das últimas décadas.

“A legalização, até pelo benefício da dúvida, uma vez que nunca fora aplicada, surge como possível medida de combate à máfia do jogo do bicho. Além disso, ao se legalizar tal atividade, esta seria tributada, gerando numerário ao estado”, finaliza.

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