Operação do MP-SP prende ex-estagiário, chefe de investigadores e ex-policial civil suspeitos de integrarem o PCC

Ministério Público de São Paulo investiga grupo suspeito de planejar atentado contra promotor do Gaeco e atuar em esquema de extorsão e vazamento de informações

Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrada nesta terça-feira (9) colocou sob suspeita a atuação de agentes que deveriam estar na linha de frente do combate ao crime organizado, informa o portal g1. A chamada Operação Infiltrados resultou na prisão temporária de um chefe de investigadores da Polícia Civil, de um ex-policial civil e de um ex-estagiário do próprio Ministério Público, apontados pelas investigações como integrantes de uma estrutura ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo o Ministério Público, o grupo é suspeito de atuar em benefício da facção criminosa, participando de um plano para assassinar um promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e de um esquema de extorsão contra pessoas investigadas por autoridades.

Além dos três mandados de prisão temporária, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Entre os alvos da operação está também um policial penal.

A ofensiva mobilizou diferentes órgãos de controle e fiscalização. Por envolver integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, a ação contou com a participação das corregedorias das duas corporações. A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também acompanhou diligências realizadas em escritório de advocacia.

Suspeitas dentro das instituições

De acordo com as investigações, o chefe de investigadores preso exercia suas funções na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas durante apurações consideradas estratégicas para o enfrentamento ao PCC.

Entre elas estavam investigações relacionadas ao suposto plano de atentado contra um promotor do Gaeco e um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes de alta relevância dentro da facção criminosa.

O ex-estagiário detido atualmente atua como advogado. Conforme apontam os investigadores, ele trabalhou anteriormente em uma promotoria criminal do Ministério Público em Campinas, circunstância que ampliou o acesso a informações sensíveis. Já o ex-policial civil preso é suspeito de ter auxiliado o ex-estagiário em atividades investigadas pelas autoridades.

A suspeita central é que integrantes ou ex-integrantes de instituições públicas tenham utilizado conhecimento interno, informações privilegiadas e acesso a procedimentos sigilosos para beneficiar interesses da organização criminosa.

Ligação com plano contra promotor

A Operação Infiltrados é resultado do aprofundamento de investigações iniciadas em duas grandes ações realizadas anteriormente pelo Ministério Público.

A primeira delas foi a Operação Pronta Resposta, deflagrada em 22 de agosto do ano passado. Na ocasião, o foco das apurações era uma organização criminosa associada ao PCC que estaria articulando um atentado contra o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco.

O caso chamou a atenção das autoridades pela ousadia do suposto plano e pela possibilidade de que informações estratégicas sobre investigações em andamento estivessem chegando a integrantes da facção.

As investigações decorrentes da operação continuaram ao longo dos meses seguintes e passaram a apontar possíveis conexões entre membros da organização criminosa e pessoas com acesso a estruturas estatais.

Lavagem de dinheiro do PCC

Outro eixo da investigação está relacionado à Operação Off White, realizada em 30 de outubro de 2025.

A ação teve como objetivo desmontar um esquema de lavagem de dinheiro associado a dois dos traficantes mais procurados do país. Entre eles estava Sérgio Luiz de Freitas, conhecido pelos apelidos de Mijão ou Xixi, apontado como um dos principais líderes do PCC que permaneciam em liberdade.

As autoridades suspeitam que o esquema movimentava recursos provenientes de atividades ilícitas da facção e utilizava mecanismos financeiros para ocultar a origem do dinheiro.

A partir da análise de documentos, movimentações financeiras e interceptações realizadas durante essas operações, os investigadores identificaram indícios que levaram ao desencadeamento da Operação Infiltrados.

Investigação em andamento

O Ministério Público ainda não divulgou detalhes sobre o conteúdo dos materiais apreendidos nesta terça-feira. Os investigadores esperam que celulares, computadores, documentos e registros obtidos durante as buscas ajudem a esclarecer a extensão da suposta infiltração criminosa em órgãos públicos.

A apuração também busca identificar se houve vazamento de informações sigilosas, facilitação de atividades criminosas ou participação de outros agentes públicos no esquema investigado.

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