Operação contra o TCP mira esquema de expulsão de moradores e lavagem de dinheiro no São Carlos

A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens

A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira (12), uma operação interestadual contra uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação no Complexo do São Carlos, na região central do Rio. Três pessoas foram presas.

A ação teve como foco desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, extorsão de comerciantes e moradores, expulsão de famílias de suas casas e comércio ilegal de armas. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens atribuídos ao grupo criminoso.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e contou com o apoio de unidades especializadas da Polícia Civil. Mandados de busca e apreensão são cumpridos nos estados do Rio, Minas Gerais e São Paulo, em ação integrada com as polícias civis dessas unidades federativas.

Entenda o esquema

Segundo as investigações, a organização criminosa mantinha um sistema estruturado de exploração econômica nas áreas sob sua influência, impondo um ambiente de intimidação permanente a comerciantes e moradores. As vítimas eram submetidas a ameaças e constrangimentos por criminosos armados, sendo obrigadas, em alguns casos, a abandonar imóveis que posteriormente passavam a ser controlados por pessoas ligadas à facção.

As apurações apontam ainda que empresas de fachada eram utilizadas para ocultar e movimentar recursos obtidos ilegalmente, formando uma complexa rede de lavagem de capitais. De acordo com a Polícia Civil, a estrutura financeira estava diretamente ligada à cúpula da facção e era responsável por fortalecer o patrimônio e a capacidade de expansão do grupo criminoso.

Comércio clandestino de armas

Os investigadores também identificaram um núcleo voltado ao comércio clandestino de armas de fogo, responsável pelo abastecimento de comunidades dominadas pelo TCP. Integrantes da organização atuariam na negociação, intermediação e aquisição de armamentos, contribuindo para o fortalecimento do aparato bélico da facção.

Para mapear a estrutura financeira e operacional do grupo, a Draco utilizou técnicas de inteligência, análise de dados telemáticos e cruzamento de informações patrimoniais e financeiras. As investigações seguem para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pela organização criminosa.

Outra ação

Nesta quarta-feira (10), policiais civis e militares deflagraram a Operação Trinus, com o objetivo de cumprir 56 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão contra suspeitos ligados ao TCP que atuam no Complexo da Maré.

Segundo a Polícia Civil, a investigação consolidou informações sobre diferentes núcleos criminosos ligados à facção, envolvendo não apenas tráfico de drogas, mas também roubos de carga, receptação de celulares, tentativa de homicídio, violência doméstica, posse irregular de armas e crimes contra crianças.

Pelo menos 20 pessoas foram presas e 30 veículos apreendidos durante as ações. Os agentes apreenderam ainda 128 pés de maconha, fuzis, automóveis e outros materiais.

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