Até o momento, a Operação Éolo já prendeu cinco suspeitos de participação na fraude de compra de respiradores durante a pandemia da Covid-19 em Carmo, na Região Serrana do Rio. Segundo as investigações, o esquema superfaturou a compra de novo respiradores mecânicos. Os aparelhos também não funcionavam por estarem quebrados ou por falta de peças.
A operação conta com equipes do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Ri e da Polícia Civil, que cumprem sete mandados de prisão e 10 de busca e apreensão em vários municípios do estado. O ex-prefeito de Carmo Paulo César Ladeira é um dos alvos de busca e apreensão.
Segundo o Ministério Público, os valores da compra dos respiradores foram pagos com recursos destinados pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ao município de Carmo. Dos nove equipamentos, quatro estavam quebrados.
Foram presos Alex Sachi da Silva, encontrado em São João de Meriti; Thiago Cardoso de Castro, no Recreio dos Bandeirantes, e Rui Tomé de Souza Aguiar, em Barra da Guaratiba, ambos bairros do Rio; Nielsei Souza de Melo, em Mesquita; e Jubert Silva Cardoso, em Laje do Muriaé, endereço onde foi apreendida uma arma. Na época, em 2020, Rui era assessor da presidência da Alerj e teria articulado o esquema criminoso.
— Em 2020, no auge da pandemia, a Alerj autorizou uma verba de R$ 1 milhão para cada município para uso emergencial. Carmo foi autorizada para a compra de respiradores, mas foi superfaturada. Vieram quebrados e faltando peças. No inquérito policial, verificamos que o equipamento de fato estava danificado, não funcionava — diz o delegado titular da 112ª DP, Herbert Tavares, que completa: — Inclusive, foi feita a devolução e apuramos fraude na licitação em uma empresa, única empresa que venceu em tese, apresentou as propostas dos concorrentes também e quem permitiu tudo foi um assessor parlamentar ligado a um deputado da Alerj, que quando soube da verba fez um contato com o prefeito de Carmo, através do antigo secretário de Meio Ambiente, que foi intermediário, para que a proposta fosse vencedora diante do acerto de propina.
A suspeita dos crimes eram investigadas desde a primeira fase da operação, que teve o ex-prefeito e o secretário investigados. Na segunda etapa, empresários foram alvos das buscas.
Os mandados expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada da Capital estão sendo cumpridos, nesta sexta-feira, no Rio, nos bairros Recreio dos Bandeirantes e Barra de Guaratiba, na Zona Oeste; em Mangaratiba, na Costa Verde; São João de Meriti, Nilópolis e Mesquita, na Baixada Fluminense; Laje de Muriaé, no Noroeste Fluminense; e Carmo, na Região Serrana.
O Gaeco/MPRJ denunciou à Justiça 14 integrantes pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, contratação direta ilegal e fraude nos contratos de licitação, lavagem de dinheiro, entre outros.
A operação Éolo é um desdobramento da operação Chorume, que também já teve mais de uma fase. Nesta última, foram investigados fraude em licitações de contratos na área de limpeza urbana. Em agosto de 2021, quatro vereadores e dois secretários municipais de Carmo foram presos. Ainda naquele ano, na segunda fase, a ação prendeu o ex-prefeito Paulo César Ladeira, investigado por receber propina em contratos ligados a empresas que também faziam parte da quadrilha. A polícia encontrou R$ 130 mil dentro de tubos de PVC que estavam enterrados no quintal do sítio que pertencia ao político, localizado na zona rural daquele município.
Nesta terceira fase da Éolo, o ex-prefeito também é um dos alvos de investigações, com mandado de busca e apreensão. Nesta sexta-feira, entre os quatro presos está Nielsei Souza de Melo. Ainda não se sabe qual seria a participação dele no esquema.
Um outro é Rui Tomé de Souza Aguiar, na época, era assessor da presidência da Alerj, segundo a TV Globo. Ele foi encontrado em casa, em Barra da Guaratiba, no Rio. As investigações apuram a aquisição de respiradores para o município de Carmo de forma fraudulenta.
Um dos pontos apurados é de que os equipamentos, usados durante o tratamento de pessoas com Covid-19, estavam defeituosos e inoperantes. Éolo — nome da operação — é o deus e senhor dos ventos na mitologia grega.
De acordo com as investigações, durante o processo de contratação da empresa para o fornecimento dos respiradores, o assessor teria indicado o fornecedor que deveria ser escolhido. A empresa, contratada por dispensa de licitação, ainda teria entregado os equipamentos que não funcionavam.
A segunda fase da operação Éolo foi realizada em 10 de agosto do ano passado. Nela, equipes do Gaeco e da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, São João de Meriti e em Mangaratiba. Na ação, foram apreendidos telefones celulares, computadores e munições de calibre 38, além de RS 172.750,00 em espécie — dinheiro sem origem lícita informada.
Com informações de O Globo
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