Janaína Lisboa
Inelegível por crime ambiental, o ex-prefeito de Duque Caxias Washington Reis segue como favorito da centro-direita fluminense para concorrer ao governo do Rio em 2026, depois das desavenças do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, com o governador Cláudio Castro. Mas, para isto, terá que reverter a inelegibilidade até novembro. É o prazo dado pelo bolsonarismo para que Reis possa representá-los no pleito.
Algumas possibilidades são cogitadas para isto. Ou através de um acordo de não persecução penal ou pela prescrição do crime ambiental neste prazo. As duas possibilidades são tratadas no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a prescrição seja possível até novembro, Reis passa a ser imediatamente tratado como candidato da direita, com forte apelo na Baixada Fluminense e interior do estado.
O cenário eleitoral do Rio de Janeiro para 2026 pode sofrer uma reviravolta. Os primeiros sinais sobre as possíveis mudanças foram emitidos pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, que, em manifestação, propõe limitar os efeitos da condenação do ex-prefeito de Duque Caxias por crime ambiental através de um acordo de não persecução penal.
Aliados de Castro entendem que este prazo é necessário para que seja iniciado um trabalho de base e viagens pelo interior a ponto de tornar o nome de Reis viável até a eleição do ano que vem. A possibilidade anula outras alternativas citadas no bolsonarismo, como uma possível eleição indireta de um deputado ligado a Jair Bolsonaro, através da Alerj, para fortalecê-lo até as eleições. Nos bastidores, o nome do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, era citado. Pazuello, no entanto, descarta a chance disto acontecer.
Mesmo ainda inelegível, Reis conseguiu um despacho favorável de Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal (STF) em junho, que reacende suas chances de disputar um cargo majoritário nas próximas eleições. O movimento, articulado nos bastidores e interpretado como um gesto estratégico, aqueceu o debate sobre a sucessão estadual.
Gilmar Mendes, que havia pedido vista no julgamento da ação contra Reis — na qual o placar estava 3 a 1 pela manutenção da condenação por crime ambiental —, emitiu um despacho que orienta o relator do caso, ministro Flávio Dino, a considerar um acordo de não persecução penal entre a defesa de Reis e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caso esse acordo seja aceito, a inelegibilidade pode ser derrubada, abrindo caminho para que o ex-prefeito de Duque de Caxias volte ao jogo.
O ministro Gilmar ainda destacou que o processo estaria “permeado por fortes controvérsias” e sugeriu a possibilidade de reparação de dano ambiental como alternativa à condenação. Embora o despacho não represente uma decisão final, foi recebido por aliados de Reis como um avanço.






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