O MUNDO PERDE O MAIS GENUÍNO DOS REIS

Reis costumavam obter esta condição por herança ou por direito divino. O rei mais popular do mundo, que acaba de partir para eternidade, é um rei diferente. Conquistou este direito por obra e graça dele próprio. Ganhou o coração do povo, que se tornou seu súdito por livre e espontânea vontade, por admiração, encantamento, por…

Reis costumavam obter esta condição por herança ou por direito divino.

O rei mais popular do mundo, que acaba de partir para eternidade, é um rei diferente. Conquistou este direito por obra e graça dele próprio. Ganhou o coração do povo, que se tornou seu súdito por livre e espontânea vontade, por admiração, encantamento, por amor a ele e ao esporte mais praticado no mundo.

Pelé é rei legítimo, portanto, sem privilégios prévios que tenham lhe concedido a coroa.

É rei porque nós quisemos. É rei porque nós lhe entregamos esta honraria única, legítima, indelével.

Ao morrer, hoje, em consequência de um câncer, tornou-se também mais do que o deus do futebol que sempre foi.

Subirá ao Olimpo onde residem todos os deuses e conviverá com eles.

O rei Pelé morreu. Viva o rei!

Nós, habitantes deste planeta, o reverenciaremos para sempre.

Nós, seus súditos, agradecemos até o fato, épico, de que sua despedida tenha ocorrido pouco tempo depois da realização de uma Copa do Mundo.

Triste, devastador, mas simbólica homenagem do futebol àquele que mais o valorizou em vida.

O maior amigo da bola nos deixa órfãos.

Mas como reclamar: ninguém teve um reinado tão genuíno e generoso.

Obrigado, Rei Pelé!

A VIDA DO REI

Pelé nasceu na cidade de Três Corações, em Minas Gerais, no dia 23 de outubro de 1940. Começou sua carreira no infanto-juvenil do Bauru Atlético Clube, em São Paulo, onde conquistou o campeonato de futebol de salão, em 1955. Era o início de um total de 61 títulos oficiais conquistados em sua carreira.

Transferido para o Santos Futebol Clube, foi 10 vezes campeão paulista entre 1958 a 1962, 1964 a 1967 e 1973. Foi campeão da Taça Brasil entre 1961 e 1965. Esses títulos foram o início de um total de 61 títulos oficiais conquistados em sua carreira, entre eles o tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira em 1958, 1962 e 1970.

Pelé fez 1 282 gols, em 1 366 partidas oficiais, com uma média de 0,93 gols por jogo. Em 1977, ano de sua aposentadoria, tornou-se Embaixador Mundial do Futebol. Em 1981 Pelé foi eleito “O Atleta do Século”, em votação com gente do mundo inteiro, realizada pelo jornal L’Équipe. Em 2014 foi inaugurado em Santos, São Paulo, no casarão do Volongo, construção do século XIX, no centro da cidade, o Museu Pelé, o único dedicado a um único esportista.

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