Nesta cidade da Região dos Lagos, nem o mar, nem a lagoa conseguem decidir sozinhos quem é que manda na parada. A geografia não é só um mapa, é um show de ilusionismo natural, com dunas que separam o oceano da laguna, mas que às vezes dão a impressão de que tudo é uma coisa só, como numa espécie de aquário gigante. Lindo, mas que insiste em ser hipersalino. Araruama nasceu devagar, entre salinas e fazendas, ganhou nome tupi e decidiu chamar atenção de todo mundo: “lugar onde as araras bebem água”, por favor, poesia pura.

Com 220 km² de extensão, a Lagoa de Araruama não se contenta em ser grande, ela é  a maior laguna hipersalina do mundo, quatro vezes maior que qualquer concorrente no Djibuti e cem vezes maior que a famosa Rodrigo de Freitas. Aqui a famosa salinidade é tamanha que alguns pontos chegam ao dobro do mar, e mesmo assim o lugar continua sendo lar de cavalos-marinhos que voltaram para conferir se a festa de recuperação ambiental está rolando mesmo para valer.

E não se engane: Araruama não é só lagoa e descanso. Massambaba, faixa de restinga entre oceano e lagoa, transforma surfistas em contadores de histórias heroicas depois de enfrentar ondas fortes e imprevisíveis. Praia Seca tenta bancar a Cancún brasileira, mas entre peixinhos, cavalos-marinhos e coqueiros, é mais charme local do que glamour internacional.

Quem prefere contemplar tudo de cima pode subir ao Mirante da Paz e perceber que toda essa confusão de mar, areia e lagoa faz sentido: cada pedacinho de Araruama parece organizado para ser observado, fotografado e celebrado. E depois daquele clique perfeito, ainda dá para passear de barco, comer um peixinho fresco ou pedalar pelas trilhas de restinga, lembrando que, em Araruama, a água é quem manda, mas o visitante é que se diverte.

Araruama abriga a maior laguna hipersalina do mundo | Crédito: Reprodução

História

Registros arqueológicos indicam que comunidades exploraram a laguna e os manguezais por muitos séculos antes da invasão portuguesa. A cidade mesmo foi formada ao longo do tempo, a partir de povoados e fazendas costeiras que se consolidaram no século XIX como grandes salinas.

Seu nome, de origem tupi, tem (como sempre) diferentes leituras ligadas a mariscos, “águas que correm” ou conchas, mas aqui vamos tomar como verdadeira a mais legal delas: “lugar onde as araras bebem água”.

Araruama virou município em 8 de fevereiro de 1859. E ao longo do século XX foi se consolidando como polo turístico de respeito na Região dos Lagos.

Por que dizem que Araruama é onde o mar, as dunas e a lagoa se encontram?

A geografia de Araruama é feita de restinga. Faixas de areia e dunas que separam o oceano da Lagoa de Araruama. Essa configuração cria pontos em que a praia marítima, as dunas e a água salgadérrima da lagoa ficam literalmente a um passo um do outro.

O resultado é uma paisagem única na Região dos Lagos, com ecossistemas de restinga, manguezal e águas salobras convivendo lado a lado.

A Lagoa de Araruama é mesmo a maior laguna hipersalina do mundo?

Sim, a Lagoa de Araruama é considerada pelos cientistas como a maior laguna hipersalina do mundo. Com 220 km², ela é mais de quatro vezes maior do que o Lago Assan, no Djibuti, com 54 km², que ocupa a segunda colocação no ranking.

Ela ainda é 100 vezes maior do que a Lagoa Rodrigo de Freitas e se estende por seis municípios. Mas o termo laguna não tem relação alguma com esse tamanhão todo.

O termo correto é “laguna” porque ela tem uma ligação com o mar. Ela é separada do Oceano Atlântico por uma comprida linha de costa, que compõe a Restinga de Massambaba, e a única ligação com o mar é pelo Canal do Itajurú.

Sua famosíssima salinidade vem do fato de que a laguna recebe mais água do mar do que consegue escoar água de seu interior para o oceano. Em alguns pontos, estudos apontam que ela pode chegar ao dobro da salinidade do mar.

Qual sua importância para a região?

Ela tem papel central na economia local, seja pela pesca artesanal, turismo de lagoa e pela paisagem que atrai visitantes, com pequenos píeres e vilarejos nas margens,

Nas últimas décadas houve esforços de recuperação da qualidade da água. Projetos regionais e iniciativas de monitoramento melhoraram indicadores em pontos da lagoa, o que levou a reconhecimentos e selos ambientais em praias de lagoa

Um dos motivos recentes de celebração foi o retorno à laguna do cavalo-marinho do focinho longo, uma espécie marinha sensível ao ambiente.

A Cancún brasileira?

A Praia Seca de Araruama é um distrito extenso de restinga que mistura praias de mar aberto com enseadas de lagoa cristalina onde se observa fauna como peixinhos e, seguindo o hype do momento, os famosos cavalos-marinhos.

A prefeitura chegou a apelidar o distrito de “A Cancún Brasileira” em campanhas turísticas, embora a comparação, cá entre nós, seja mais marqueteira do que literal.

Praia Seca: distrito mistura praias de mar aberto com enseadas de lagoa cristalina | Crédito: Reprodução

Só tem lagoa, não tem onda?

Em Araruama tem praia para todo mundo. Massambaba,  uma restinga que separa oceano e lagoa tem ondas fortes o que a torna um dos pontos preferidos de surfistas na Região dos Lagos.

Com cerca de 12 quilômetros de extensão, o mar aberto e o vento constante criam condições ideais para a prática do esporte, especialmente para surfistas experientes, já que em dias de ondas cavadas o mar pode ficar perigoso para iniciantes.

O que é o Museu Arqueológico?

O Museu Arqueológico de Araruama fica na sede da Fazenda Aurora, um casarão imponente, de características neoclássicas, erguido em 1862 e tombado pelo Inepac.

Em 2006, ele foi todo restaurado para abrigar o Museu Arqueológico, que infelizmente está fechado desde 2013 por não ter condições estruturais e de segurança para expor suas peças.

O museu compreende o engenho, as senzalas e a casa-grande, e preserva pinturas murais (trompe l’oeil) e trabalhos em estuque.

O que é o Mirante da Paz?

Para quem gosta de ver as coisas do alto, o Mirante da Paz, no alto do Morro do Itatiquara oferece vistas amplas da Lagoa de Araruama e da paisagem ao redor.

Como acontece com mirantes em cidades pequenas, há recomendações práticas: verifique o acesso, leve água e atenção à segurança local.

Visitantes relatam que o lugar rende boas fotografias do entardecer e um panorama que ajuda a entender por que a lagoa domina a paisagem araruamense.

Mirante da Paz oferece vistas amplas da Lagoa de Araruama | Crédito: Reprodução

O que mais tem para fazer por lá

Além de banhos de lagoa e caminhadas pela restinga, Araruama oferece passeios de barco, pesca artesanal, observação de aves e circuitos gastronômicos com peixes e frutos do mar.

Bares e quiosques nas margens da lagoa são pontos de convivência. Para quem gosta de ecoturismo leve, a combinação lagoa-restinga-dunas rende passeios de bicicleta e trilhas curtas. E para famílias, os trechos da laguna são ideais para crianças.

Qual a melhor época para viajar?

O verão concentra o fluxo turístico e traz calor, vento e maré cheios de vida, mas também lota praias e provoca preços mais altos.

A meia estação, primavera e outono, costuma oferecer um equilíbrio entre clima agradável e menos multidão, boa visibilidade e preços mais amigáveis.

Para quem quer ver aves migratórias ou aproveitar águas mais claras da lagoa, verificar o calendário local e os avisos ambientais ajuda a planejar a viagem.

Como chegar?

Partindo da Guanabara, são cerca de 120 quilômetros, o que dá para fazer em uma viagem de umas duas horas de carro. De ônibus, saindo da Rodoviária do Rio, as tarifas começam na faixa dos R$ 50.

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