O homem que desmaiou em Copacabana, após ser agredido por assaltantes, tentou proteger uma mulher que acabara de ser vítima dos mesmos criminosos. Novas imagens do que aconteceu nesse sábado (2) mostram a sequência do que ocorreu. O homem agredido é o empresário Marcelo Rubim Benchimol.
Eram 18h30, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre as ruas Dias da Rocha e Raimundo Corrêa, quando uma mulher foi cercada na calçada por um grupo de suspeitos. Segundo um porteiro, Marcelose tornou alvo dos criminosos ao tentar proteger a mulher, e levou chute e empurrões antes de desmaiar. Na calçada, a marca do sangue se mantém dois dias depois do crime.
As imagens de uma câmera de segurança, de pouco mais de um minuto, mostram a mulher caminhando com bolsas, no momento que um rapaz passa ao seu lado e, em seguida, volta para abordá-la. Ela se esquiva, vai para a rua e se arrisca, em meio aos carros em movimento, enquanto o grupo cresce, e ao menos cinco suspeitos a cercam, no momento em que Marcelo — de camisa branca e bermuda azul — aparece encurralado ao lado da primeira vítima.
Ao fugir, Marcelo é empurrado contra um vaso de plantas, leva um chute e outro empurrão antes de ser acertado no rosto por um soco, que o faz cair desacordado no chão. Já caído, mais suspeitos se aproximam e conferem o que há no bolso da vítima.
“Eu me lembro que eu estava indo para a academia e vi uma moça sendo atacada. O principal que eu pensei foi: ‘ou eu fujo ou eu ajudo ela’. Optei por ajudar”, disse.
Marcelo falou que logo em seguida começou uma “pancadaria”.
“Eu me desvencilhei, mas depois um rapaz me acertou um soco. Eu estava de óculos, o óculos enterrou no meu rosto, e aí eu desmaiei”, lembra. Segundo ele, foram mais de 20 agressores, mas dificilmente conseguirá reconhecê-los.
O empresário disse que acordou em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e agradeceu aos policiais militares que o ajudaram. Ele contou que fez nesta segunda-feira (4) uma tomografia e um exame de fundo de olho, que não apontaram nenhuma sequela.
De acordo com moradores de Copacabana, o modus operandi chega a ter bandos de 60 pessoas, divididos pelos dois lados da calçada da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, fazendo uma devassa em quem passar.
A empresária Beatriz Rodrigues, de 57 anos, mora há 32 no bairro e conta que presenciou grupos como o que atacou o homem 24 horas depois do assalto. Na mesma Avenida Nossa Senhora de Copacabana, só que no trecho entre as ruas Constante Ramos e Barão de Ipanema.
Ela caminhava para a Igreja São Paulo Apóstolo, quando foi surpreendida por um grupo de 25 homens, que tentavam roubar quem passasse.
— Eu, minha filha e meu genro ficamos no meio da rua. Vimos um bando de um lado, tentamos atravessar a rua e vinha outro. Era cena de Walking Dead. Um molequinho ainda disse: “tia, a senhora vai ser atropelada” — lembra Beatriz, que se abrigou em uma padaria e não viu armas, mas o investimento dos criminosos em intimidar pela quantidade de pessoas.
A rotina de Beatriz, que desistiu de ir à missa no domingo, já mudou:
— É de se espantar. Não saio mais de casa no domingo depois de 14h, é muito apavorante. E a gente tem um batalhão na Rua Figueiredo de Magalhães. Tinha que ter ronda constante. Fico aflita pelos turistas, porque a gente é muito mais esperto. O turista sai que nem um bobo, achando que tá em Nova Iorque passeando.
Por volta das 10h desta segunda-feira (4), agentes do programa Segurança Presente estiveram no endereço, percorrendo estabelecimentos e imóveis na busca de imagens de câmeras.
Moradores do bairro contam que o que ocorreu no sábado com o homem agredido e com Beatriz, no domingo, fazem parte de uma ação “inteligente” do crime, conforme explica o vendedor Caio Quintas, de 35 anos.
— São grupos de 60 pessoas, (que atuam) entre 18h e 19h todos os dias. Os informantes vêm na frente, cercando as esquinas, para ver se tem policia, e chamam os outros — narra Caio, que diz que a ação é feita a pé ou até usando ônibus como “bases de apoio”, pulando da janela para atacar vítimas.
Os principais trechos de atuação, segundo o vendedor, são na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, entre as ruas Constante Ramos e Siqueira Campos, ou na chegada à Praça do Lido.
O gerente comercial Alexandre Galdino mora em Copacabana há quatro anos e diz que os assaltos são recorrentes.
— Tanto que nós sabemos que, quando vem um grupo de cinco ou seis, já vai começar o tormento. O único dia que não tem nada é quando chove. As idades são variadas, são homens, meninos e meninas, de 11, 25 até 30 anos que se juntam no fim do dia — conta ele.
A linha de ônibus mais problemática, segundo Alexandre, usada pelos criminosos, é a 474 (Jacaré—Copacabana):
— Eles abrem a porta de trás do 474, descem tranquilamente, furtam o que dá para furtar e voltam para o ônibus como se nada tivesse acontecido.
Com informações de O Globo e SBT





