Nova investigação do STF mira líder do governo Lula por supostos desvios em emendas no Ceará

José Guimarães, Eunício Oliveira e Yury do Paredão são citados em mensagens que indicam possível participação em esquema de corrupção com verbas parlamentares; todos negam envolvimento

Uma nova frente de investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mira parlamentares cearenses com foro privilegiado sob suspeita de envolvimento em desvios de emendas parlamentares. Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada nesta quarta-feira (9), entre os alvos está o líder do governo Lula na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), além do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE) e do deputado Yury do Paredão (MDB-CE).

A apuração foi determinada pelo ministro Gilmar Mendes após análise de provas reunidas pela Polícia Federal em operação deflagrada nesta terça-feira (8), cujo foco principal era o deputado Júnior Mano (PSB-CE). Embora Guimarães, Eunício e Yury não tenham sido formalmente investigados na ação, seus nomes surgem em trocas de mensagens e documentos apreendidos, o que motivou a abertura de um inquérito separado no STF.

“O objetivo é apurar de forma aprofundada eventual participação de agentes políticos com prerrogativa de foro na ilícita destinação e execução de recursos federais oriundos de emendas parlamentares e transferências especiais”, escreveu Gilmar na decisão.

Parte dos valores de emendas retornaria para os envolvidos

O esquema, segundo a PF, operava por meio de emendas parlamentares direcionadas a municípios previamente selecionados, com posterior fraude em licitações e desvio de recursos públicos. As mensagens analisadas indicam que parte dos valores retornava em forma de propina para os envolvidos, prática descrita pelos próprios interlocutores como “pedágio” ou “imposto”.

Em uma das conversas, o operador político Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró — atualmente foragido — menciona emendas supostamente liberadas por José Guimarães e Eunício Oliveira para os municípios de Choró e Canindé. Bebeto foi eleito prefeito de Choró em 2024, mas não assumiu o cargo por decisão da Justiça Eleitoral.

Ainda segundo a PF, uma ex-prefeita de Canindé afirmou ter rompido com o grupo político de Júnior Mano após se recusar a devolver 10% do valor de duas emendas atribuídas a Guimarães. Em outra mensagem, Bebeto diz ter ouvido áudios em que Eunício relatava a liberação de R$ 1 milhão para Canindé, enquanto Guimarães teria enviado R$ 2 milhões para Choró.

Guimarães, Eunício e Yuri negam envolvimento

Procurado, José Guimarães negou qualquer relação com as cidades citadas. “Reafirmo o fato de que não destinei emendas parlamentares à localidade de Choró. Inclusive, nas eleições municipais mais recentes, disputamos contra o atual prefeito, tendo nosso candidato do PT sido derrotado nas urnas”, disse. Sobre Canindé, ele afirmou que “uma simples consulta ao Siafi comprova que não destinei nenhuma emenda parlamentar nos anos de 2024 e 2025”.

A assessoria de Eunício Oliveira afirmou que ele destina emendas a dezenas de municípios cearenses “de forma transparente e de acordo com a legislação”, e que o repasse para Canindé foi indicado apenas em maio. Ainda segundo a nota, o deputado solicitou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a suspensão da transferência.

Já o deputado Yury do Paredão, também citado nas mensagens, declarou por meio da assessoria que “o fato de todos os recursos estarem disponíveis no Portal da Transferência da Câmara dos Deputados demonstra a seriedade e a responsabilidade com que conduz suas ações”.

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