Alvo da operação da PF que resultou na prisão do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, um dos chefões do Terceiro Comando Puro (TCP) teve um áudio vazado nas redes sociais dando orientações para membros da facção criminosa no Morro da Serrinha, em Madureira, Zona Norte do Rio (ouça abaixo).

No conteúdo atribuído ao criminoso, obtido pela Agenda do Poder, ele ameaça matar quem descumprir as suas determinações e reforça a disputa por território com o Comando Vermelho. Wallace de Brito Trindade, também conhecido como Lacoste ou Salomão, está foragido da Justiça. Com mandados de prisão por homicídio qualificado e associação para o tráfico, ele é apontado pelas autoridades como um dos criminosos mais procurados do Rio.

Na investigação da operação da PF que resultou na prisão de Thiego, capturado no dia 3 de setembro, Lacoste é apontado como um dos responsáveis por promover a importação clandestina de equipamentos “antidrone”, para impedir a entrada das forças policiais em áreas sob o domínio do crime organizado.

TH Joias | Crédito: Divulgação / Alerj

As apurações indicam trocas de mensagens entre Lacoste e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, ex-assessor parlamentar de TH Joias na Alerj também preso na operação.

Em uma das conversas interceptadas, Dudu afirma estar indo para o Morro da Serrinha, onde se encontraria com “o mano”, como se referia a Lacoste, de acordo com a PF. A investigação indica que Dudu e Lacoste negociavam ainda a compra de drogas e armas.

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TFF-2) manteve por unanimidade nesta segunda-feira (08) a prisão preventiva de TH Joias, Dudu, Lacoste e de outros 11 acusados de envolvimento no esquema envolvendo os crimes de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.

‘Vai levar um tiro na cara’, ameaça Lacoste

Em áudio atribuído ao chefão do TCP, ele encaminha orientações e até ameaças aos subordinados ligados ao tráfico no Morro da Serrinha, que enfrenta uma disputa por território contra o Comando Vermelho, facção rival.

Quadrilha é uma só! Tropa do Salomão, irmão. Se passar e não apertar a mão, falar que não gosta do cara (…). Pode ser da minha família, mano! Vai ganhar um tiro por dentro da cara pra parar de palhaçada (…). Bagulho de um bonde pra lá e um bonde pra cá? Não tô a fim de ficar escutando e nem desenrolando isso, não. Nossa guerra é com o Comando Vermelho.

Áudio atribuído a Lacoste nas redes sociais

E, logo em seguida, reforça a ameaça: “Se passar isso dentro do Morro da Serrinha, alguém vai se f… e vai ficar de exemplo. Essa porra aqui é uma coisa só: TCP, irmão. Não tem essa de formar caô, falar gracinha”.

Na mensagem, ele também proíbe os membros da facção de atirar contra viaturas policiais também sob ameaças aos criminosos.

“Comboio passando, vagabundo dando tiro? Vagabundo acha que nós está [sic] vivendo o quê? É a realidade dentro do Rio de Janeiro, irmão (…). Eu não gosto de bater em ninguém. Isso vai ser alguém que vai dar um ‘peãozinho’ [agressão, na gíria]. Porra, tá faltando com o respeito a minha palavra e a palavra de vários amigos aí, irmão. Nós ainda tá levando na consideração de homem, bagulho dentro da criminalidade. Com todo respeito, irmão”.

Eu não quero babação de ovo, mano! Eu quero bandido, eu quero sujeito homem dentro da quadrilha, irmão. Eu passo a visão do ‘certo’.

Lacoste também fez questionamentos ligados à contabilidade nos pontos de venda de drogas citando outra liderança da facção conhecida como Coelhão, apelido de William Yvens da Silva Rio.

“O Coelhão toda hora pergunta como é que está a boca [ponto de venda de drogas]. Vagabundo fala que tá tranquilo (…). Porra nenhuma! Zona do caramba! Tá de sacanagem, porra! (…). Vagabundo tá querendo o quê? Me enganar? Todo mundo vai prestar comigo nessa porra pra parar essa palhaçada! Não sou criança, irmão! Vê a minha responsabilidade”.

Questionada pela Agenda do Poder sobre o teor do áudio vazado, a Polícia Civil se posicionou dizendo apenas que investiga a ação das organizações criminosas no Rio de Janeiro. “Agentes realizam diligências para identificar responsabilizar criminalmente todos os envolvidos”, disse a instituição, por nota.

‘É a Tropa do Salomão’

Em seguida, outros criminosos que participaram da conversa responderam à mensagem. “Na moral, copiei já. Geral do Morro da Serrinha copiou também. Tá passando aí tranquilidade e papo de muita responsa (…). É Tropa do Salomão, tá ligado? Então, quem está fechadão com o pai, copia o papo legal”, disse um deles.

“É o Salomão pra resolver tudo? Tem vários amigos capacitados pra resolver. Copiou, rapaziada? Vamos viver o crime, como o mano falou aí. Aqui, é bandido na quadrilha. Sujeito homem, com atitude, com respeito”.

Em seguida, o próprio Lacoste cobrou posicionamento de outros membros da facção. “Tá copiando aí ou tá surdo nessa porra, irmão?”, questionou. “Copiei, copiei”, disse um criminoso.

“O crime é isso aí mesmo! Copiou o papo do homem, daquele jeitão”, respondeu outro. “Vamo que vamo, ele já deu o papo. Vamos cair dentro, mostrar serviço”, falou um membro da facção que também participava da conversa.

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