Nascimentos caem no Brasil e atingem menor nível desde a década de 1970, aponta IBGE

Centro-Oeste foi a única região com alta em 2023; mulheres têm filhos cada vez mais tarde e número de mães adolescentes diminui pela metade em duas décadas

O número de nascimentos no Brasil voltou a cair em 2023 e chegou ao menor patamar desde o início da série histórica do IBGE, em 1974, informa o jornal O GLOBO. Foram registrados 2.523.267 nascidos vivos no país, segundo a pesquisa Estatísticas do Registro Civil 2023, divulgada nesta sexta-feira (17). É o terceiro número mais baixo da série, ficando à frente apenas dos anos de 1974, 1975 e 1976 — período em que a subnotificação era maior.

Em comparação com 2022, houve uma redução de 0,7% no total de nascimentos. Em relação à média anual entre 2015 e 2019, a queda foi de 12%, evidenciando que a década atual marca uma aceleração do declínio da natalidade no país.

Segundo o IBGE, o fenômeno foi observado em todas as regiões, com exceção do Centro-Oeste, onde os nascimentos cresceram 1,1% em 2023. A maior queda percentual foi registrada em Rondônia (-3,7%), seguida por Amapá (-2,7%), Rio de Janeiro (-2,2%) e Bahia (-1,8%). Os estados com mais nascimentos em números absolutos foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. Já os menores volumes se concentraram em estados da Amazônia Legal, como Roraima, Amapá, Acre e Tocantins.

Mulheres estão tendo filhos mais tarde

Uma das transformações mais significativas captadas pela pesquisa é o adiamento da maternidade. Em 2023, 39% dos bebês nasceram de mães com 30 anos ou mais, sendo o maior percentual desde o início da série. No Distrito Federal, essa taxa chegou a 49,4%, quase metade dos partos.

A proporção de mães com mais de 40 anos também dobrou em 20 anos, passando de 2,1% em 2003 para 4,3% em 2023. Apesar disso, a faixa de 20 a 29 anos segue sendo a mais comum, concentrando 49,1% dos nascimentos.

Por outro lado, a maternidade na adolescência apresenta forte queda. Em 2023, 11,8% dos bebês foram filhos de mães com até 18 anos — uma redução expressiva frente aos 20,9% registrados em 2003. O fenômeno ainda é mais concentrado nas regiões Norte e Nordeste.

Mais partos fora da cidade de residência

O IBGE também investigou os deslocamentos das gestantes para o parto. Em municípios com mais de 500 mil habitantes, 10,2% das mães deram à luz em outra cidade. Aparecida de Goiânia (GO) lidera esse ranking, com 80,8% das mães residentes tendo seus filhos em outro município. Em seguida aparece Belford Roxo (RJ), com 79,5%.

Além disso, a pesquisa revela atrasos significativos no registro civil dos bebês. Nos estados do Piauí, Maranhão e Pará, é comum que o registro ocorra mais de 15 dias após o nascimento. No total, 222 municípios brasileiros apresentaram mais da metade dos registros fora do prazo padrão.

Março lidera nascimentos; novembro tem menor número

O mês com maior número de nascimentos em 2023 foi março, com 233.432 registros. Maio aparece logo em seguida, com 230.394. O mês com menos nascimentos foi novembro, com 188.411. O dado contraria a crença popular de que o período pós-Carnaval é o mais fértil do calendário. A concentração de nascimentos nos meses de março e maio sugere que a maioria das gestações se inicia no inverno anterior.

O IBGE ainda ressalta que, embora os números absolutos de nascimentos estejam em queda, a qualidade da informação coletada melhorou nas últimas décadas, reduzindo subnotificações. Essa melhora reforça o retrato atual de um Brasil que vive uma transição demográfica, marcada por menos filhos, maternidade tardia e mudanças nos padrões familiares.

Nascimentos segundo a faixa etária da mãe — Foto: Editoria de Arte do jornal O GLOBO

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