Na França, mais de 160 candidatos desistem de 2º turno para centrar forças e evitar vitória da extrema direita

Estratégia une coalizações de esquerda e a que apoiou o presidente Macron

Mais de 160 candidatos anunciaram a desistência do segundo turno das eleições legislativas francesas para criar um “cordão sanitário” contra a extrema direita. Seguindo instruções partidárias, candidatos da coalizão Renascimento, do presidente Emmanuel Macron, e da Nova Frente Popular, de esquerda, retiraram-se das disputas com três ou mais candidatos para concentrar votos na opção mais viável contra a extrema direita.

Até a tarde de segunda-feira (1), 167 candidatos já haviam desistido, segundo o jornal Le Monde.

O sistema político francês, com 577 círculos eleitorais, exige maioria simples no primeiro turno ou ser o mais votado no segundo turno, que pode ter múltiplos candidatos com pelo menos 12,5% dos votos. O primeiro turno gerou 306 disputas triangulares, mas esse número deve diminuir com as desistências dos candidatos governistas e de esquerda.

Líderes como Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, Raphaël Glucksmann, do Partido Socialista, e o premier Gabriel Attal, aliado de Macron, pediram a retirada de candidaturas de seus correligionários para enfrentar os candidatos do Reagrupamento Nacional, liderado por Marine Le Pen e Jordan Bardella.

Essa estratégia, conhecida como “cordão sanitário”, foi usada anteriormente, como em 2002, quando Jacques Chirac recebeu apoio de centro e esquerda para derrotar Jean-Marie Le Pen.

Apesar de reduzir danos, o cordão sanitário dificilmente impedirá que o Reagrupamento Nacional conquiste o maior número de cadeiras, segundo pesquisas.

A coalizão de esquerda havia anunciado antecipadamente a retirada em círculos menos favoráveis para derrotar a extrema direita. A dúvida era sobre os partidos da coalizão de Macron, que equiparou o Reagrupamento Nacional à França Insubmissa.

Mensagens na noite de domingo foram ambíguas. Gabriel Attal defendeu que “nenhum voto” fosse dado ao RN, instando a retirada das candidaturas. Édouard Philippe, ex-premier e líder do Horizon, disse que seus candidatos só deveriam se retirar se o segundo turno não fosse entre França Insubmissa e Reagrupamento Nacional. A quantidade final de candidatos no segundo turno será conhecida na noite de terça-feira, prazo final para confirmações.

Com informações de O Globo

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