O ex-presidente e candidato ao Palácio do Planalto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comparar o presidente Jair Bolsonaro (PL) ao nazista Adolf Hitler e afirmou nesta segunda-feira (12) que o deputado federal Aécio Neves (PSDB) é responsável pelo “clima de animosidade” do Brasil por não ter aceitado o resultado das eleições presidenciais de 2014 contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “O Aécio afrontou a vitória da Dilma, entrou com recurso na Justiça e é responsável pelo clima de animosidade que está criado hoje nesse país. Numa eleição, você disputa, você perde ou você ganha”, afirmou Lula em entrevista à CNN.
Lula afirmou ainda que o clima no Brasil mudou após o impeachment de Dilma, referindo-se a ele como “golpe”, e que, até então, o Brasil vivia “em normalidade”. “Não tinha dificuldade de relacionamento com os partidos políticos. O Fernando Henrique Cardoso não teve, o Sarney não teve. Isso começou depois de 2014, 2015, quando o Aécio não aceitou os resultados das eleições e instigou que o Eduardo Cunha se comportasse do jeito que se comportou”, continuou Lula.
Em seguida, o ex-presidente afirmou que vários fatores contribuíram para que o Brasil entrasse nesse “clima de nervosismo”, sendo um deles a negação da política, e comparou o atual chefe do Executivo a Hitler e a Mussolini. “A destruição da política permitiu que surgisse um Bolsonaro como permitiu que surgisse na Alemanha um Hitler, como permitiu que surgisse na Itália um Mussolini. Toda vez que você nega a política, o que vem depois dela é muito pior.” Na sabatina, Lula também voltou a afirmar que há uma “certa anormalidade” no país na atuação dos Poderes.
Ele afirmou que, às vezes, o Judiciário “se comporta fazendo política” e que para voltar a normalidade é preciso que cada Poder volte a cumprir com a sua função. “Governo governa, Legislativo legisla e o Judiciário tem o papel de ser o garantidor da Constituição.” Lula disse que é preciso seguir acreditando na Justiça e que não se arrependeu de nenhuma indicação de ministros que ele fez ao Supremo Tribunal Federal durante os seus mandatos. “Nunca indiquei para depender de favor. Indiquei por currículo e competência”, disse. Ao ser questionado sobre corrupção, o ex-presidente voltou a citar instrumentos criados nos governos petistas, como a Lei de Acesso à Informação e o Portal da Transparência, e criticou os decretos de sigilo impostos pelo governo Bolsonaro. Lula também citou seu vice, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), e indicou que ele será uma pessoa importante nas articulações políticas em um eventual governo para mudar o fato do “presidente da República ser refém do Congresso Nacional”.





