Os jardins do Museu da República, no bairro do Catete, na zona sul do Rio de Janeiro, vão receber um novo prédio dedicado ao Museu do Folclore Edison Carneiro, ampliando o espaço de preservação e exposição da cultura popular brasileira. O projeto prevê a expansão do acervo e novas áreas para pesquisa, educação e visitação pública.
O acordo para viabilizar a obra foi assinado nesta sexta-feira (13) entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pelo Museu do Folclore, e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), gestor do Museu da República.
A iniciativa prevê a construção de uma nova estrutura em uma área dos jardins do Museu da República, próxima à atual sede do Museu do Folclore, que funciona na antiga Casa da Guarda do complexo cultural
Expansão da cultura popular brasileira
O novo prédio será destinado principalmente à reserva técnica do acervo, além de integrar unidades do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). A estrutura também deverá contar com áreas de pesquisa, programa educativo, auditório e espaços para eventos e recepções.
Segundo o presidente do Iphan, Leandro Grass, o investimento na iniciativa pode variar entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões, com recursos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para cultura. A expectativa é que o processo de licitação seja concluído ainda em 2026.
“Vamos expandir tanto o museu quanto a reserva técnica, colocar esse acervo à disposição da população e dos pesquisadores e ampliar o que já é oferecido hoje”, afirmou.
Com a assinatura do acordo, o Iphan poderá iniciar a contratação do projeto executivo da obra, etapa necessária para dar início às intervenções.
Maior acervo de cultura popular do país
O Museu do Folclore Edison Carneiro abriga hoje a maior reserva de cultura popular do Brasil, com mais de 20 mil objetos relacionados a manifestações culturais tradicionais.
O diretor do CNFCP, Rafael Barros, explica que a ampliação é uma demanda histórica do setor cultural. Segundo ele, o espaço atual já não atende às necessidades de conservação do acervo.
“A nossa reserva técnica possui mais de 20 mil objetos e não tem hoje as condições ideais de guarda e preservação”, afirmou.
Com a nova estrutura, a expectativa é triplicar a área destinada ao acervo e ampliar o acesso de pesquisadores e visitantes. O projeto também prevê paredes de vidro, permitindo que o público visualize parte da reserva técnica.
Patrimônio cultural e memória do país
O centro cultural reúne cerca de 17 mil objetos e mais de 200 mil documentos bibliográficos e audiovisuais, além de exposições, atividades educativas e espaço para pesquisa.
Para a presidente do Ibram, Fernanda Castro, a parceria entre as instituições fortalece a preservação da memória cultural brasileira.
“O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular ter um espaço adequado para a reserva técnica significa preservar manifestações culturais que vêm do povo, e o que vem do povo deve orientar as políticas públicas”, destacou.
A assinatura do acordo ocorreu durante um evento que também marcou a inauguração de um mural em homenagem ao folclorista Edison Carneiro, realizado pelo projeto artístico NegroMuro, no terraço do CNFCP.
O museu, que completa 58 anos em 2026, é referência nacional na preservação das manifestações populares e tradições culturais brasileiras.





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