A megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro teve como diferencial uma estratégia inédita: o chamado “Muro do Bope”, um cerco de agentes de elite que empurrou os criminosos até o topo da Serra da Misericórdia, entre os complexos da Penha e do Alemão. A ação, deflagrada na terça-feira (28), foi a mais violenta da história do estado.
Segundo o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, o objetivo da tática era isolar os traficantes em uma área de mata para evitar confrontos dentro das comunidades. “O ‘Muro do Bope’ foi uma linha de contenção formada por policiais que empurravam os criminosos para o alto da montanha”, explicou Menezes nesta quarta-feira (29).
Operação teve 60 dias de planejamento e reação com drones
De acordo com a Secretaria da PM, a ofensiva foi planejada durante 60 dias. O governo do Estado afirma que a ação era necessária para retomar o controle de um território dominado pelo crime organizado. Durante os confrontos, criminosos usaram drones equipados com bombas, o que demonstra o poder bélico crescente das facções.
Apesar da violência e das críticas, o governador Cláudio Castro (PL) classificou a operação como um “sucesso”. Ele afirmou que as únicas vítimas reconhecidas pela corporação foram os quatro policiais mortos em combate.
Críticas e falta de apoio federal
Especialistas em segurança pública apontaram uma “lambança operacional” diante do número elevado de mortos e do pânico causado entre moradores. O número de vítimas ultrapassa o do massacre do Carandiru, em 1992.
O governo estadual também criticou a falta de apoio federal. O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que não foi informado sobre a operação. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a corporação avaliou o plano e concluiu que “não era uma operação razoável para participar”.
Balanço oficial da megaoperação
O governo do Rio divulgou os números oficiais da ação:
- Presos: 113, sendo 33 de outros estados
- Adolescentes apreendidos: 10
- Armas: 118 (90 fuzis, 26 pistolas e 1 revólver)
- Explosivos: 14 artefatos
- Centenas de carregadores e milhares de munições
- Toneladas de drogas ainda não contabilizadas
Fila de corpos e relatos de horror na Penha
A madrugada seguinte à operação foi marcada por cenas de desespero. Moradores do Complexo da Penha relataram ter levado ao menos 60 corpos para a Praça São Lucas, onde familiares tentavam reconhecer as vítimas.
“Ninguém nunca viu no Brasil o que está acontecendo aqui”, disse Jéssica, moradora da região. Testemunhas contaram que muitos corpos apresentavam marcas de facadas e mutilações. A reportagem presenciou ao menos um corpo decapitado.
Cidade volta à normalidade após o caos
Na manhã desta quarta-feira (29), o Centro de Operações da Prefeitura informou que o Rio retornou ao estágio 1 de mobilidade, o mais baixo da escala. As vias e os meios de transporte voltaram a funcionar normalmente após a paralisação causada pelos tiroteios e bloqueios de ruas durante a ofensiva.






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