Mulher que agrediu entregadores com coleira é condenada por racismo no Rio

Ex-jogadora de vôlei, Sandra Mathias recebeu pena de mais de 4 anos por ataques motivados por preconceito racial, orientação sexual e condição social

A Justiça do Rio de Janeiro condenou Sandra Mathias Correia de Sá, ex-jogadora de vôlei, por racismo, injúria racial e lesão corporal contra dois entregadores agredidos por ela com uma coleira, em 2023, na Estrada da Gávea, zona sul da cidade.

Somadas, as penas chegam a 4 anos de reclusão, 4 meses e 20 dias de detenção, além de 30 dias-multa. A juíza responsável pelo caso determinou o cumprimento inicial em regime aberto, mas negou benefícios como a substituição por penas alternativas, diante da gravidade das agressões físicas. Por ser decisão de primeira instância, ainda cabe recurso, informa o g1.

A sentença reconheceu que os crimes praticados por Sandra não se limitaram a ofensas individuais, mas tiveram como alvo um grupo social identificado pela cor da pele, pela origem social e até pela orientação sexual. A Justiça entendeu que houve motivação torpe e preconceituosa, o que agravou a pena.

Ofensas e violência física

As agressões aconteceram em frente a uma base de uma plataforma de entrega, próxima à estação de metrô de São Conrado, onde os entregadores aguardavam pedidos. Sandra morava no prédio ao lado e, segundo os relatos das vítimas, já havia hostilizado os trabalhadores em outras ocasiões.

Max Ângelo dos Santos foi atacado com golpes de uma coleira de cachorro, usada como chicote, e levou um soco na cabeça. Já Viviane Maria de Souza foi xingada com ofensas de cunho racista e homofóbico, além de ter sido mordida na perna.

“Ela me xingou de lixo, de favela, de um monte de coisa… Chamou pra briga, e eu não queria brigar”, contou Viviane à época. “Eu falei: ‘Eu não quero brigar, vou correr, sim’. Porque, se eu fosse a mais, ia acabar machucando ela.”

A ré chegou a dizer a Max frases como “preto de favela”, “favelado”, “lixo de favela” e “marginal”, e a Viviane, chamou de “lixo da favela” e afirmou que ela “não parecia com mulher”. A perícia confirmou os ferimentos em Max, e as agressões foram classificadas como “semelhantes ao uso de um chicote”.

Defesa das vítimas e próximos passos

O advogado dos entregadores, Joab Gama, afirmou que a decisão representa um avanço, mas ainda não significa o fim do processo. “Recebemos a sentença com a sensação de dever cumprido, mas sabemos que ainda cabe recurso. Isso muitas vezes favorece quem tem poder aquisitivo, que consegue prolongar os processos por tempo indeterminado”, disse.

Gama destacou que a responsabilização na esfera cível ainda está pendente. “Toda a humilhação e as consequências dessa ação criminosa ainda não foram reparadas. Esperamos uma condenação tão contundente quanto a criminal. Justiça só será plenamente realizada quando houver decisão definitiva nas duas frentes.”

Histórico de Sandra

Sandra Mathias já tinha antecedentes criminais por furto de energia elétrica, injúria e ameaça. A sentença atual amplia o histórico judicial da ré, agora condenada por crimes graves com motivação discriminatória e violenta.

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