Os moradores de Angra dos Reis transformaram o plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em palco de protesto nesta terça-feira (11), em reação à criação da Taxa de Turismo Sustentável (TTS), que prevê a cobrança de R$ 95 por visitante para entrada em Ilha Grande e no continente.
Os manifestantes, que haviam participado mais cedo de uma audiência pública sobre o tema, permaneceram nas galerias até o início da sessão plenária, por volta das 15h. Eles acabaram exigindo explicações da deputada Célia Jordão (PL), esposa do prefeito Fernando Jordão (MDB), autor da sanção da medida.
Quando a parlamentar entrou no plenário, entoaram em coro: “Ô Célia, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!”. Logo depois, os gritos de “Fora Célia!” ecoaram pelo local, enquanto a deputada permaneceu sentada na segunda fileira, fora do campo de visão do público.
Debate sobre legalidade e impacto econômico
A Taxa de Turismo Sustentável foi o principal tema da audiência promovida pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Alerj. Durante o encontro, parlamentares e representantes do setor turístico defenderam a derrubada da cobrança, aprovada pela Câmara Municipal de Angra dos Reis.
O presidente do colegiado, deputado Jorge Felippe Neto (Avante), anunciou que ingressou com uma ação popular na Vara de Fazenda Pública de Angra para barrar a medida, classificando-a como ilegal e prejudicial ao turismo doméstico.
O deputado Marcelo Dino (União), que propôs a audiência, alertou que a taxa pode resultar na elitização da Ilha Grande, reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, e afetar diretamente o sustento das comunidades caiçaras.
O deputado Professor Josemar (Psol) também criticou a medida, chamando-a de “pedágio ambiental” sem base jurídica e argumentando que ela impõe uma barreira econômica e viola o direito de ir e vir.
Falta de transparência e cobranças anteriores
Moradores e representantes de entidades locais aproveitaram a audiência para denunciar a ausência de transparência na destinação dos recursos arrecadados. Segundo eles, a Prefeitura já cobra outras taxas na Ilha, como as de embarque e desembarque, mas o retorno em investimentos de infraestrutura é praticamente inexistente.
O descontentamento da população cresceu após a confirmação de que a TTS entrará em vigor em 2026. Para os moradores, a cobrança ameaça o turismo popular e privilegia um modelo excludente, que pode afastar visitantes e prejudicar a economia de base comunitária da região.






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