Magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) consideraram insatisfatórias as justificativas apresentadas pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre sua permanência na embaixada da Hungria em fevereiro. Em conversas reservadas, os ministros afirmam que os argumentos do político são “frágeis” e não esclarecem o motivo de sua estadia na representação diplomática.
Bolsonaro buscou refúgio na embaixada húngara quatro dias depois da Polícia Federal confiscar seu passaporte em uma operação que o investiga por supostamente conspirar para um golpe de Estado após as eleições de 2022.
Por estar em território sob jurisdição estrangeira, o ex-presidente estava fora do alcance da Justiça brasileira durante esse período.
Em sua defesa, os advogados de Bolsonaro alegaram que, mesmo sem mandato, ele mantém uma “agenda política extremamente ativa”, incluindo reuniões com “líderes estrangeiros alinhados com o perfil conservador”.
Esses argumentos foram apresentados ao ministro Alexandre de Moraes, que concedeu 48 horas para Bolsonaro explicar os dois dias em que ficou na embaixada entre 14 e 16 de fevereiro.
A defesa de Bolsonaro considerou “ilógica” a sugestão de que ele poderia buscar refúgio político na Hungria, cujo líder, Viktor Orbán, é um aliado do ex-presidente. Eles destacaram que as medidas cautelares impostas por Moraes em 8 de fevereiro tornavam essa possibilidade altamente improvável e infundada, incluindo a proibição de Bolsonaro deixar o país e a exigência de entrega do passaporte.
Além disso, a defesa mencionou que Bolsonaro informou previamente a Moraes sobre suas viagens ao exterior, já que é investigado em pelo menos cinco inquéritos no STF. Isso incluiu sua ida à Argentina para a posse de Javier Milei em dezembro do ano passado.
Na semana anterior à revelação de sua estadia na embaixada da Hungria, Bolsonaro solicitou a Moraes a devolução de seu passaporte para uma viagem a Israel entre 14 e 18 de maio.
A Polícia Federal iniciou uma investigação para determinar se Bolsonaro estava buscando asilo político na embaixada e se isso configuraria uma tentativa de fuga.
Ministros do STF estão cautelosos quanto à possibilidade de um eventual pedido de prisão preventiva do ex-presidente, devido ao risco de fuga.
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também considera a prisão uma medida “excessiva” e deve se pronunciar sobre o assunto após a Páscoa, seguindo a solicitação de Moraes
Com informações de O Globo.





