A posição do governo brasileiro sobre a guerra de Israel na Faixa de Gaza e a relação amigável entre Lula e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estão entre os temas a serem abordados, nesta quinta-feira, pelo chanceler Mauro Vieira, em uma reunião com senadores. Vieira foi convidado a participar de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.
A justificativa para o convite é que, no início de cada sessão legislativa, o ministro das Relações Exteriores comparece ao colegiado para prestar contas sobre sua pasta. O mesmo ocorre com o ministro da Defesa — que hoje é José Múcio.
Contudo, a despeito da parte burocrática da comissão, a expectativa é que os senadores explorem bastante a presença de Vieira.
Genocídio em Gaza
Em viagem à África no mês de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou o genocídio cometido por Israel contra palestinos na Faixa de Gaza ao massacre dos judeus por Hitler na Segunda Guerra Mundial.
Embora Lula tenha classificado o ataque do Hamas como “terrorista” e feito vários apelos pela libertação dos reféns israelenses que estão nas mãos do grupo, o presidente continua chamando de genocídio as ações israelenses na Palestina — assim como outros líderes mundiais, como o presidente da África do Sul, e diversas entidades internacionais que defendem os direitos humanos.
No mês passado, para demonstrar descontentamento com a forma como o embaixador do Brasil em Tel Aviv, Frederico Meyer, foi tratado pelo chanceler israelense, Israel Kratz, após a declaração de Lula, Mauro Vieira chamou de volta o embaixador. Meyer foi convocado para ir a uma reunião no Museu do Holocausto, em Jerusalém, e, de acordo com o próprio Vieira, recebeu um tratamento “inaceitável”.
Venezuela
Outro fator a ser debatido no Senado é a proximidade de Lula com o presidente venezuelano Nicolás Maduro, classificado como “ditador” pela direita por suspeita de que as últimas eleições venezuelanas não tenham sido suficientemente idôneas e transparentes.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, entretanto, para a manutenção de tal relação amigável é fundamental que o acordo firmado entre o governo e a oposição da Venezuela, no fim do ano passado, seja cumprido. O combinado é que as eleições sejam livres, justas e transparentes — motivo pelo qual o país convidou diversos observadores internacionais para acompanhar a lisura do processo, em que Maduro vai concorrer novamente à presidência pelo partido chavista.
Balanço
Outros pontos que devem ser levantados pelos senadores são a guerra na Ucrânia, o aquecimento global, o acordo comercial em negociação entre o Mercosul e a União Europeia e o Brasil na presidência do G20. A expectativa é que Vieira faça um balanço sobre o que foi feito até o momento na política externa brasileira e depois responda as perguntas dos parlamentares.
Com informações do GLOBO.





