Ministério da Saúde apresenta plano para enfrentar impactos do El Niño 2026-2027

Plano prevê reforço do SUS, monitoramento de riscos, envio de equipes e medidas para reduzir os efeitos do fenômeno climático em todas as regiões do Brasil

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O Ministério da Saúde apresentou um plano nacional para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os impactos do El Niño 2026-2027, fenômeno climático que pode provocar secas, enchentes, ondas de calor e aumento de doenças em diferentes regiões do país. A estratégia foi detalhada durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília, reunindo gestores estaduais para definir ações de prevenção e resposta.

Segundo o governo federal, o próximo ciclo do El Niño já é considerado forte e pode alcançar intensidade muito forte a partir de setembro. O período de maior impacto está previsto entre outubro de 2026 e março de 2027, quando os efeitos devem variar conforme a região do Brasil.

No Norte e no Centro-Oeste, a expectativa é de estiagem prolongada, seca e aumento das queimadas. No Nordeste, o fenômeno pode agravar a seca e elevar ainda mais as temperaturas. Já o Sudeste poderá enfrentar ondas de calor e temporais, enquanto a Região Sul deve registrar chuvas intensas, com risco de enchentes e deslizamentos.

Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde estruturou o plano em cinco frentes principais. Entre elas estão a criação de salas de monitoramento das emergências climáticas, a organização interna da pasta, o envio de medicamentos e kits de assistência farmacêutica, o reforço da atuação da Força Nacional do SUS e a definição de protocolos específicos para cada bioma brasileiro.

A Força Nacional do SUS terá papel estratégico no atendimento às emergências, com equipes preparadas para serem deslocadas em até 48 horas para as áreas atingidas.

O plano também amplia o monitoramento das condições climáticas e dos impactos na saúde da população. Entre as ferramentas utilizadas estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o sistema VigiAR, o GeoRisk e os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), implantados em oito cidades do país. Além disso, haverá integração entre os sistemas e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan para facilitar a identificação precoce de surtos e doenças relacionadas aos eventos climáticos.

Durante a apresentação, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, afirmou que o fortalecimento da preparação do SUS é essencial diante da intensidade prevista para o fenômeno e destacou que o trabalho vem sendo desenvolvido em parceria com estados e municípios.

Além das ações emergenciais, o governo também mantém o Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima (AdaptaSUS), que estabelece 27 metas e 93 ações até 2035 para fortalecer a capacidade de resposta da saúde pública às mudanças climáticas.

Na área de segurança hídrica, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) informou que contratou a instalação de 18,8 mil cisternas em 397 municípios de sete estados, com investimento de R$ 226,6 milhões em melhorias sanitárias para regiões afetadas pela seca.

Na Amazônia, o planejamento inclui o fortalecimento da rede de atendimento às comunidades isoladas, com apoio de equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais para garantir assistência às populações de difícil acesso.

O Ministério da Saúde também anunciou que publicará nos próximos dias uma portaria criando um painel permanente de especialistas em clima e saúde. O grupo será responsável por fornecer suporte técnico às decisões relacionadas à prevenção e ao enfrentamento dos impactos provocados por eventos climáticos extremos.

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