Médicos pedem punição para o ‘guru da cloroquina’ que propôs o remédio para tratar Covid

Órgãos médicos e de pesquisa da França pediram às autoridades locais que punam o pesquisador Didier Raoult pelo “maior ensaio clínico ‘não autorizado’ já visto” sobre o uso de hidroxicloroquina para tratar a Covid-19. Em artigo publicado no site francês Le Monde, no último domingo, um grupo de 16 órgãos de pesquisa escreveu que as…

Órgãos médicos e de pesquisa da França pediram às autoridades locais que punam o pesquisador Didier Raoult pelo “maior ensaio clínico ‘não autorizado’ já visto” sobre o uso de hidroxicloroquina para tratar a Covid-19. Em artigo publicado no site francês Le Monde, no último domingo, um grupo de 16 órgãos de pesquisa escreveu que as autoridades devem tomar “medidas apropriadas para as infrações” em prol da segurança do paciente e “da credibilidade da pesquisa médica francesa”.

Raoult, ex-chefe do hospital de pesquisa IHU Mediterranee, na França, e seus subordinados engajados na “prescrição sistemática de medicamentos tão variados como hidroxicloroquina, zinco, ivermectina e azitromicina para pacientes que sofrem de Covid-19… sem base farmacológica sólida e sem qualquer comprovação de sua eficácia”, diz o artigo.

O endosso do respeitado especialista em doenças tropicais Raoult ajudou a levar a droga antimalária hidroxicloroquina à consciência pública nos primeiros dias da pandemia do novo coronavírus, alimentando sua promoção pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo então líder brasileiro, Jair Bolosonaro.

Em abril, a ANSM, autoridade de medicamentos da França disse que o tratamento com hidroxicloroquina “expõe os pacientes a possíveis efeitos colaterais que podem ser graves”. No entanto, as drogas continuaram a ser prescritas “por mais de um ano depois que sua ineficácia foi absolutamente demonstrada”, acrescentaram os médicos no artigo.

Raoult publicou em março um estudo “pré-impresso” — ainda não submetido à revisão científica por pares — sobre o tratamento de mais de 30 mil pacientes com Covid-19, com o medicamento. Até agora, ninguém foi acusado em uma investigação aberta no ano passado pelos promotores de Marselha sobre fraude e testes humanos injustificados no IHU Mediterranee, com sede na cidade portuária do sul.

O governo também solicitou uma investigação sobre a conduta do IHU sob a gestão de Raoult após um duro relatório dos inspetores. O ministro da Saúde, François Braun, disse à emissora RTL no domingo que não comentaria sobre uma investigação aberta, mas confirmou que o último estudo seria incluído no âmbito da investigação.

Raoult se aposentou como professor no verão de 2021 e foi substituído no IHU Mediterrannee em agosto passado. Um porta-voz disse que ele continuou sendo um professor emérito e ainda supervisionava dois estudantes de doutorado que começaram a trabalhar em suas teses antes de ele partir.

No próprio IHU, todos os ensaios clínicos envolvendo humanos foram suspensos desde que o substituto de Raoult, Pierre-Edouard Fournier, assumiu. O hospital disse à AFP que está esperando a palavra da ANSM antes de retomar os testes.

“O IHU precisa mostrar que atendeu às expectativas” antes que os testes em humanos sejam permitidos, disse a ANSM, sem estabelecer um prazo.

Com informações do GLOBO.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading