A atuação da Marinha na operação de Garantia da Lei e Ordem (GLO) não abrange a costa do Complexo da Maré, que beira a Baía de Guanabara. O vice-almirante Renato Ferreira explicou que a região onde militares atuarão forma uma área que impossibilita cruzar a Baía sem passar pelo monitoramento.
— Nossa operação será calcada na inteligência, que nos indicará onde temos que atuar. Podemos atuar ainda nas barcas se elas estiverem na área delimitada e recebermos alguma informação para operar — disse Ferreira.
Além dos militares, participam da ação a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e o Porto do Rio. Representantes das instituições se reunirão periodicamente para traçar estratégias. O vice-almirante ainda destacou que os militares estão aptos e prontos para confronto com criminosos caso seja necessário.
—O importante é saber a hora de usar a força total, a hora de usar ela controlada ou quando não precisa usar. É a repetição do patrulhamento que inibe qualquer tipo de ação. Isso vai funcionar nos portos e nas áreas marítimas da poligonal do porto organizado. A Marinha está empregando 1 .900 militares e 120 meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais. No Rio de Janeiro existe a maior concentração, nós colocamos aqui um batalhão e alguns navios de patrulha e avisos de patrulha na Bahia de Guanabara.
O superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Rio Vitor Almada detalhou ainda que após o início do reforço do patrulhamento nas estradas do estado, os números de roubo de carga e outros correlacionados reduziram em 40%, comparados há média dos últimos 12 meses. Também na Força Tarefa, a Receita Federal diz que a operação não implica necessariamente em mais vistorias em containers que chegam e partem do Rio.
— O nosso intuito também é garantir a fluidez do comércio. É que o combate ao tráfico de drogas e armas, o combate ao crime organizado, não prejudique a fluidez do comércio exterior. A gente tem que atuar na gestão de risco com inteligência e nessa cooperação para fortalecer o Estado contra o crime organizado — disse Claudiney dos Santos, superintendente da Receita no Rio.
Autorizada pelo presidente Lula, a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em portos e aeroportos do Rio de Janeiro e São Paulo começa nesta segunda-feira. A medida, que ocorrerá até 3 de maio de 2024, inclui ações de prevenção e repressão ao crime organizado, com objetivo de combater, por exemplo, o tráfico de drogas e de armas.
Neste primeiro momento, a Marinha conta com 1.900 militares. No Rio, serão aproximadamente 823 agentes nos acessos do Porto do Rio e no patrulhamento interno dele, além de atuar vistoriando navios e embarcações na Baía de Guanabara. Outros 183 homens ficarão em Sepetiba e Itaguaí. Além disso, 120 viaturas e embarcações blindadas serão usadas. Entre elas, destaca-se o blindado JLTV, mais conhecido como “estado da arte”, segundo o Capitão de Fragata e porta-voz da Operação de GLO, Rodrigo Fernandes.
Ele explicou que é um dos modelos mais modernos do mundo, com capacidade para sustentar tiros de fuzil e até de calibres mais altos, como de uma ponto 50 e 762. Na manhã desta segunda-feira, três embarcações blindadas patrulhavam a Baía de Guanabara. Na Praça Mauá, próximo ao Museu do Amanhã, dois veículos blindados vistoriavam o pátio, na altura da entrada do portão 32 do Porto do Rio.
— A Marinha já posicionou seus meios marítimos quanto meios terrestres. A Marinha atuará no sentido de intensificar os esforços unidos e integrados para o fortalecimento ao combate de drogas, de armas e a outros ilícitos — afirmou Fernandes.
Já com relação às comunidades que têm saída para a Baía de Guanabara, o comandante explicou que a Marinha já realiza a patrulha e fiscalização dessas áreas. As áreas previstas de fiscalização, bem como pontos estratégicos, serão definidos com o setor de Inteligência.
Com informações de O Globo.





