A oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) usou a ordem do dia, desta quinta-feira (14/03), para cobrar a conclusão das investigações do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, que está completando seis anos. Durante a sessão, os deputados lembraram que até hoje não se sabe as motivações do crime e os possíveis mandantes.
Os dois foram mortos na noite do dia 14 de março de 2108, quando o carro onde estavam foi fuzilado, no Estácio, na Região Central da cidade do Rio. Dois acusados dos homicídios, os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, foram presos um ano depois do crime. Lessa é suspeito de ter efetuado os disparos e Queiroz, de conduzir o carro usado no assassinato.
“Hoje lembramos dos seis anos do feminicídio político de Marielle Franco. Quero reforçar, mais uma vez, a importância de sabermos quem mandou matar a Marielle e o porquê. Afinal de contas, também precisamos lembrar que o assassinato de Marielle Franco e Anderson é, sem dúvida nenhuma, um risco para a democracia brasileira”, disse Renata Souza (Psol).
O deputado Carlos Minc também usou o plenário para lembrar da morte da vereadora e falar do convívio com ela quando integrante da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj, quando presidida por Marcelo Freixo. Ele lamentou que, apesar de toda tecnologia disponível para investigação, o caso até hoje não tenha sido solucionado.
“Um crime até hoje não resolvido. Como é possível? Seis anos se passaram. Já se sabe quem são os verdadeiros assassinos há praticamente cinco anos. Agora, com a entrada da Polícia Federal também, chegaram as delações premiadas, pegaram novas pessoas e dizem que está próximo de ser resolvido. Temos que sempre homenagear e lembrar a grande Marielle e, por outro lado, cobrar todos os dias: quem a matou e por quê?”, disse.
Investigações
No ano passado, as investigações chegaram a um terceiro homem, o ex-bombeiro Maxwell Simões Correia, o Suel, preso depois de uma delação premiada de Queiroz, que o apontou como responsável por monitorar as movimentações de Marielle. Em janeiro deste ano, Edilson Barbosa dos Santos também foi preso, suspeito de ajudar a se desfazer do carro usado no crime.
No mesmo mês, em suposta delação premiada à Polícia Federal, Lessa, teria dito que o Conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, de 58 anos, deu a ordem para executar a vereadora. A PF, no entanto, não confirma a existência dessa delação, pois não comenta investigações em andamento.
Disputa por terra
De qualquer maneira, a partir de Lessa, o órgão teria passado a investigar se a morte de Marielle teria relação com uma disputa por terrenos na Zona Oeste. Isto porque ele informou que a psolita virou alvo depois de defender a ocupação de áreas por pessoas de baixa renda e que o processo fosse acompanhado pelo Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio e o Núcleo de Terra e Habitação, da Defensoria Pública do Rio.
De acordo com as investigações, o mandante do crime que deu fim a vida de Marielle e Anderson estaria buscando a regularização de um condomínio em Jacarepaguá sem considerar o critério de área de interesse social. O objetivo seria transformar a propriedade em especulação imobiliária.
Brazão já havia sido investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal de envolvimento nos assassinatos. A principal motivação seria vingança contra Marcelo Freixo. Mas nada foi provado contra ele.
Agora, a Polícia Federal aguarda o parecer do ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que está com a delação de Lessa. Se comprovado que o ex-PM citou Brazão, os investigadores terão que provar o envolvimento do conselheiro no duplo homicídio.





