A reação do governo brasileiro às críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Pix ganhou um novo componente político. Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretendem transformar a defesa do sistema de pagamentos instantâneos em uma das principais bandeiras eleitorais para a disputa de 2026.
Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, a estratégia é estabelecer um paralelo entre a mobilização em defesa do Pix e a campanha realizada em favor das urnas eletrônicas durante as eleições de 2022. A avaliação de aliados do presidente é que ambos representam tecnologias nacionais que passaram a ser alvo de questionamentos e, por isso, poderiam despertar um sentimento de proteção entre os brasileiros.
Nesta terça-feira (2), Lula reforçou essa mensagem durante um evento em Catalão, Goiás, ao exibir um cartaz com a frase “o Pix é nosso”. A iniciativa remete a campanhas históricas de valorização de símbolos nacionais e sinaliza o tom que o governo pretende adotar nos próximos meses.
Pix vira tema político
A movimentação ocorre após declarações do presidente americano Donald Trump envolvendo o sistema brasileiro de pagamentos. O tema passou a ser utilizado por integrantes do PT como exemplo da capacidade tecnológica do país e da necessidade de defender iniciativas consideradas estratégicas para a economia nacional.
De acordo com o secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, o Pix alcançou um nível de popularidade raro entre diferentes setores da sociedade.
“O Pix é um consenso nacional, une do flanelinha do estacionamento ao empresário exportador”, afirmou.
Nos bastidores, dirigentes petistas avaliam que o sistema de pagamentos instantâneos tem potencial para se transformar em um dos principais símbolos da campanha governista.
Sistema nasceu no governo Bolsonaro
O debate político em torno do Pix traz uma particularidade. O sistema foi desenvolvido pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na campanha eleitoral de 2022, Bolsonaro chegou a destacar o Pix como uma das realizações de sua gestão. O programa de governo apresentado naquele ano citava o sistema como um instrumento capaz de ampliar a inclusão financeira e facilitar transações sem custos para a população.
Agora, o tema reaparece sob outra perspectiva, impulsionado pelas discussões envolvendo a política comercial dos Estados Unidos e seus reflexos sobre o Brasil.
Disputa de narrativas
Nos bastidores da política, a avaliação é que o Pix pode se transformar em mais um elemento da disputa de narrativas entre governistas e bolsonaristas.
Aliados de Lula argumentam que o sistema representa um avanço tecnológico brasileiro e defendem sua proteção diante de questionamentos externos. Já integrantes da oposição lembram que a ferramenta foi criada e implementada durante a gestão Bolsonaro.






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