O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu avançar com a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) mesmo sem garantias de apoio no Senado. Três dias antes de formalizar o envio da mensagem, Lula se reuniu com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que não assegurou a aprovação do nome.
De acordo com aliados do Planalto, apesar da falta de compromisso explícito, Lula deixou o encontro com a percepção de que a resistência ao indicado havia diminuído. Ainda assim, Alcolumbre teria alertado que Messias precisará atuar diretamente junto aos senadores para reduzir objeções.
O encontro ocorreu na noite de 29 de março, no Palácio do Alvorada, e contou também com a presença do senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e apontado como alternativa ao STF dentro do próprio Congresso.
Articulação política e disputa em Minas entram na equação
Além da indicação ao Supremo, a reunião tratou do futuro político de Pacheco, especialmente sua possível candidatura ao governo de Minas Gerais com apoio de Lula. A avaliação no Planalto é que esse movimento ajuda a reduzir tensões, ao sinalizar que o senador não ficou insatisfeito por não ter sido escolhido para a vaga no STF.
Pacheco oficializou sua filiação ao PSB em 1º de abril, mesma data em que Lula enviou a indicação de Messias ao Senado. Publicamente, o senador mantém cautela sobre sua candidatura, mas, nos bastidores, o presidente afirma ter recebido sinal positivo sobre a entrada na disputa estadual.
A estratégia do governo é usar esse alinhamento político para facilitar a tramitação do nome de Messias, reforçando a ideia de um acordo amplo dentro da base e entre lideranças do Congresso.
Resistência no Senado levou governo a adiar indicação
Lula anunciou Messias como seu indicado ao STF ainda em novembro do ano passado, mas optou por adiar o envio formal ao Senado diante da resistência entre parlamentares. A medida foi vista como uma forma de ganhar tempo para articulação política.
Na ocasião, Alcolumbre chegou a marcar a sabatina do indicado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para dezembro de 2025. Governistas avaliaram que o prazo dificultaria a aprovação, o que levou o Planalto a recuar temporariamente.
Agora, com o envio oficial da mensagem, Messias precisará passar pela sabatina na CCJ e, posteriormente, pela votação no plenário do Senado — etapas consideradas decisivas e ainda incertas, especialmente após Alcolumbre não garantir apoio ao nome.





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