Lula recebe representantes de Biden e adia viagem aos EUA para depois de sua posse

Em uma reunião em Brasília nesta segunda-feira, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indicou a representantes do presidente dos EUA, Joe Biden, que talvez não haja tempo hábil para uma visita aos EUA antes da posse, como inicialmente era planejado. Segundo o ex-chanceler Celso Amorim, o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan,…

Em uma reunião em Brasília nesta segunda-feira, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indicou a representantes do presidente dos EUA, Joe Biden, que talvez não haja tempo hábil para uma visita aos EUA antes da posse, como inicialmente era planejado. Segundo o ex-chanceler Celso Amorim, o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, fez questão de frisar que Biden estava disposto a receber Lula até antes do início de seu terceiro mandato como presidente, em 1º de janeiro.

Segundo O Globo online, Lula valorizou muito o fato de que o convite foi feito dessa maneira, mas [indicou] que talvez não desse antes da posse. Mas acha que dá para ir logo no início do ano, já numa visita oficial como presidente. Isso foi, digamos assim, a motivação principal do encontro — disse Amorim, que participou do encontro.

Por quase duas horas, Lula se reuniu com Sullivan, com o diretor sênior para assuntos do Hemisfério Ocidental, Juan Gonzalez, e com o funcionário sênior do Departamento de Estado para assuntos do Hemisfério Ocidental, Ricardo Zúniga.

Acompanharam Lula na conversa, além de Amorim, o ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad e o procurador da Fazenda Nacional Jorge Messias. Eles chegaram ao encontro com uma pauta de temas regionais e globais abrangentes que incluiu Venezuela, Haiti, clima e guerra na Ucrânia, confirmaram fontes do gabinete de transição ao GLOBO.

Na visão do governo eleito, existem questões emergenciais que precisavam começar a ser conversadas com a administração de Joe Biden antes da posse de Lula. A Venezuela é uma delas, com a discussão, segundo Amorim, abordando a necessidade de eleições justas.

De acordo com outras fontes, “o governo eleito foi claro: a solução só pode ser política e pelo diálogo. Sanções e planos de invasão, como se pensou no passado, não funcionam. Pensar em derrubar o governo Maduro não é o caminho”, em referência à abordagem adotada durante o governo de Donald Trump (2017-2021) em relação a Caracas.

Fontes do governo eleito indicam que, com a eleição do petista, há expectativa de recomposição imediata das relações entre Brasília e Caracas e que Lula seja uma espécie de mediador na relação entre EUA e Venezuela.

Para o terceiro governo de Lula, se houver um convite, o Brasil aceitaria ter uma participação em esforços de aproximação e possíveis acordos entre o governo de Maduro e a oposição — como acontece atualmente no México, com mediação da Noruega. Mas é condição sine qua non que haja um convite. O Brasil, enfatizaram, não vai propor nada.

No encontro também foi abordada a posição do governo eleito sobre a crise no Haiti e a eventual possibilidade — como defende a Casa Branca — de que seja enviada uma força internacional ao país.

— Não vamos nos envolver em intervenções militares, mas iniciativas humanitárias sim, neste caso o Brasil vai colaborar, como já colaborou no passado — disse uma das fontes consultadas.

A questão de uma participação militar, ampliou a fonte, é delicada “pela própria situação interna no Brasil em relação aos militares”. De qualquer forma, o governo eleito também pretendeu deixar claro, neste caso, que qualquer tipo de iniciativa deve partir das Nações Unidas e ter um mandato da ONU. Segundo Amorim, não houve qualquer pedido para que o Brasil retorne ao Haiti para comandar tropas de paz.

De acordo com o ex-chanceler, também abordou-se a cooperação entre os dois países na área de tecnologia, desenvolvimento sustentável e científico. Lula manifestou interesse em realizar uma reunião de cúpula dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e com os presidentes amazônicos logo no início de 2023.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, que se arrasta desde fevereiro, também estava na pauta do governo eleito. O recado brasileiro era de que “se trata de um conflito muito grave, no coração da Europa, e que pode escalar para um conflito nuclear. A busca pela paz é urgente e não adianta buscar culpados, deve existir um movimento pelo fim das hostilidades e uma saída negociada”. Uma posição muito menos anti-Rússia do que esperavam os americanos, e, também, os europeus.

Como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil, concluiu uma das fontes, terá um papel importante nos debates sobre a guerra em 2023, e sua visão é de que chegou a hora de buscar uma saída que evite uma tragédia global.

Em relação ao conflito, Amorim indicou que Lula “disse estar disposto a ajudar” no que fosse possível em temas relacionados à paz e à democracia.

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