A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil seja incluída na investigação que apura suposta interferência externa nas eleições brasileiras, informa Bela Megale, em O Globo. A medida americana foi anunciada na noite de quinta-feira (1º), dois dias antes do primeiro turno, sob a justificativa de preocupações com segurança.
A petição foi encaminhada ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Sebastião Reis Júnior, e solicita que o episódio seja considerado durante a instrução e o julgamento da ação. A representação americana suspendeu, a partir desta sexta-feira (2), o atendimento presencial em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, sem detalhar publicamente a natureza da ameaça.
Campanha cita possível impacto no ambiente eleitoral
Na manifestação, a coligação de Lula afirma que a suspensão dos serviços consulares projeta um cenário de instabilidade às vésperas da votação. A defesa sustenta que o episódio deve ser analisado dentro do conjunto de fatos que, segundo a campanha, apontariam para uma operação de interferência externa no processo eleitoral brasileiro.
A petição também menciona informações de que a ordem para o fechamento temporário das representações teria partido diretamente do secretário de Estado americano, Marco Rubio. A informação foi publicada pela imprensa brasileira, enquanto o Departamento de Estado justificou oficialmente a suspensão por questões de segurança.
Defesa relaciona medida a Flávio e Eduardo Bolsonaro
Na petição, os advogados da campanha de Lula afirmam: “Estes fatos apenas são mais um desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norteamericano, articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro”.
A ação apresentada ao TSE sustenta que os episódios fariam parte de diferentes frentes de uma suposta interferência externa em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro, incluindo ações de natureza comunicacional, institucional e diplomática. A alegação é apresentada pela defesa de Lula no processo e não representa uma conclusão do TSE sobre os fatos.
A campanha também anexou uma carta enviada por três senadores americanos a Rubio. Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch manifestaram preocupação com possíveis tentativas do governo de Donald Trump de influenciar as eleições brasileiras.
Senadores citam tarifas e encontro com Trump
No documento, os parlamentares americanos mencionam tarifas comerciais, sanções e o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca como elementos que, segundo a avaliação expressa na carta, poderiam indicar disposição do governo americano de interferir na disputa eleitoral brasileira.
A suspensão dos serviços consulares ocorreu no mesmo período em que Trump declarou, na quinta-feira (1º), que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras. Na ocasião, porém, o presidente americano não citou candidatos e afirmou que o Brasil e suas eleições são importantes.
Ao TSE, a campanha de Lula pede que os novos fatos e os documentos anexados sejam considerados na instrução e no julgamento da ação. A defesa ressalta que o pedido não pretende alterar o objeto original do processo, mas acrescentar os acontecimentos recentes ao conjunto de elementos que já está sob análise da Justiça Eleitoral.







Deixe um comentário