Lula manda recado a prefeitos da Baixada que não o apoiam: ‘A sorte deles é que não vou levar em conta o voto, mas a necessidade do povo’; vídeo

Presidente afirma que manterá investimentos de quase R$ 20 bilhões na região, independentemente das posições políticas dos prefeitos. Em entrevista no Rio, também prometeu atuar na disputa por uma ilha em Angra dos Reis e agradeceu à mobilização de seus apoiadores no segundo turno.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou, neste sábado (24), um recado direto aos prefeitos da Baixada Fluminense que não apoiam sua candidatura à reeleição. Durante entrevista no Rio de Janeiro, Lula afirmou que dará continuidade aos investimentos de quase R$ 20 bilhões que, segundo ele, o governo federal está realizando na região, independentemente das preferências eleitorais dos administradores municipais.

Em tom de cobrança, o presidente lamentou não ter conseguido realizar uma caminhada pela Baixada durante a campanha do segundo turno. Disse que gostaria de ter ido à região justamente para lembrar aos prefeitos a dimensão dos investimentos federais.

“A única frustração que eu tenho aqui no Rio de Janeiro é que eu gostaria de ter feito uma caminhada na Baixada Fluminense, até para perguntar para os prefeitos: nós estamos investindo na Baixada quase 20 bilhões de reais”, afirmou.

Lula argumentou que uma eventual derrota eleitoral poderia comprometer a continuidade dos projetos, sob a alegação de que seus adversários têm o hábito de interromper obras iniciadas por governos anteriores.

“Esse dinheiro, se a gente não ganhasse as eleições, esse dinheiro não iria mais ir, porque eles são profissionais em parar as obras que a gente está fazendo”, declarou.

“Não vou perguntar em quem o prefeito votou”

Na sequência, Lula afirmou que a população da Baixada não será prejudicada pelas escolhas políticas dos prefeitos. Segundo ele, o critério para a execução dos investimentos federais será a necessidade da população, e não o alinhamento partidário dos governantes municipais.

“Então, a sorte dos prefeitos é que, mesmo não votando em mim, o Brasil vai eleger um presidente que não vai levar em conta o voto, vai levar em conta a necessidade do povo da Baixada Fluminense”, disse.

O presidente garantiu que os projetos já previstos serão executados, sem distinção entre municípios administrados por aliados ou adversários políticos.

“Nós vamos fazer todas as obras que estão encomendadas, todas, sem distinção. Eu não vou perguntar em quem o prefeito votou, de que partido ele é. O projeto é bom, o projeto tem consistência, o povo necessita, a gente vai fazer as obras”, assegurou.

A declaração ocorre em meio à disputa presidencial no Rio de Janeiro, onde o posicionamento de prefeitos e lideranças municipais tem sido um dos componentes da articulação política das campanhas.

Lula promete atuar em disputa por ilha em Angra dos Reis

Em outro momento da entrevista, Lula abordou a controvérsia envolvendo a ilha em Angra dos Reis, comprada pelo jogador Richarlison e que teria sido tomada pelo advogado Willian Tomás, amigo de Flávio Bolsonaro.

“Nós vamos trabalhar para tentar devolver esse terreno a seu verdadeiro dono”, declarou.

Lula também questionou a atuação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) no caso. Segundo seu relato, Richarlison teria esperado mais de um ano por uma decisão administrativa que reconhecesse a sua propriedade, enquanto Willian Tomás, amigo de Flávio Bolsonaro, teria conseguido resolver a situação em uma semana.

“O amigo do Flávio, numa semana, ele conseguiu o título que a pessoa não conseguiu em um ano”, afirmou.

Presidente agradece mobilização no Rio e demonstra confiança no segundo turno

Lula também elogiou a mobilização de seus apoiadores no Rio de Janeiro e afirmou que a campanha do segundo turno ganhou uma dimensão popular que, em sua avaliação, surpreendeu até mesmo dirigentes políticos.

“O povo assumiu para si a responsabilidade de fazer a campanha. Hoje nós temos um exército de democratas nesse país”, afirmou.

O presidente agradeceu aos candidatos, deputados e militantes que participaram da mobilização eleitoral no estado. Disse ainda que, mesmo quando um candidato não consegue se eleger, uma campanha bem conduzida pode produzir resultados políticos importantes.

“Eu acho que o PT do Rio de Janeiro, os partidos do Rio de Janeiro fizeram um movimento no segundo turno que muita gente não acreditava”, declarou.

Lula afirmou estar otimista com o resultado da eleição e defendeu que os eleitores desejam mudanças, mas não um retorno às políticas de governos anteriores.

“O povo quer mudança para melhor, o povo quer mudança para frente, o povo não quer retroceder”, disse.

Ao encerrar a entrevista, o presidente convocou seus apoiadores para a reta final da campanha.

“Vai começar a caminhada da vitória aqui no Rio de Janeiro. Um abraço e até!”, concluiu.

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