O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta terça-feira (13) a morte de seu amigo e ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, destacando que sua trajetória foi “um exemplo de que a luta política e a doçura podem andar juntas”. Lula, que está em Pequim, na China, para o IV Fórum CELAC-China, divulgou uma nota oficial exaltando a importância de Mujica para a América Latina e sua atuação firme em defesa da democracia, da justiça social e da integração regional.
“Em seus quase 90 anos de vida, Mujica combateu fervorosamente a ditadura que um dia existiu em seu país. Defendeu, como poucos, a democracia. E nunca deixou de militar pela justiça social e o fim de todas as desigualdades”, escreveu o presidente brasileiro, em mensagem publicada nas redes sociais. “Sua grandeza humana ultrapassou as fronteiras do Uruguai e de seu mandato presidencial.”
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores também divulgou nota lamentando o falecimento do líder uruguaio e destacou que seu legado será fonte de inspiração para futuras gerações. “O legado de ‘Pepe’ Mujica permanecerá, guiando todas e todos aqueles que genuinamente acreditam na integração de nossa região como caminho incontornável para o desenvolvimento”, diz o comunicado da diplomacia brasileira.
José Mujica faleceu aos 89 anos, em Montevidéu, após longa luta contra um câncer de esôfago diagnosticado em abril de 2024. Em janeiro deste ano, ele havia revelado que o tumor se espalhara para o fígado e, por conta da idade avançada, optou por não iniciar novos tratamentos. Nos últimos dias, recebeu cuidados paliativos, como informou sua esposa, a ex-vice-presidente uruguaia Lucía Topolansky.
O atual presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, anunciou a morte pelas redes sociais: “É com profundo pesar que anunciamos o falecimento do nosso camarada Pepe Mujica. Presidente, ativista, referência e líder. Sentiremos muita falta de você, querido velho.”
De perfil austero e popular, Mujica marcou a política latino-americana com seu estilo singular. Ex-guerrilheiro tupamaro, passou mais de uma década preso durante a ditadura militar uruguaia antes de emergir como uma das principais lideranças políticas do país. Como presidente, entre 2010 e 2015, ficou conhecido internacionalmente por viver em uma chácara modesta nos arredores de Montevidéu, dirigir um Fusca azul e doar grande parte de seu salário para causas sociais.
Em 2023, Lula condecorou Mujica com o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, durante uma visita a Montevidéu. A homenagem foi um gesto de reconhecimento à contribuição do ex-presidente uruguaio para a democracia e a integração sul-americana.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que integra a comitiva brasileira na China, também manifestou pesar: “Hoje o mundo se despede de uma das figuras públicas mais queridas e admiradas no cenário internacional. Que a força desse grande líder mundial e sua humanidade possam continuar inspirando e transformando a vida de todos que acreditam em um mundo melhor”, declarou.
A pedido de Mujica, seu corpo será cremado. As cinzas serão depositadas ao lado do túmulo de sua cadela de estimação, Manuela, no sítio onde vivia com Lucía Topolansky. O desejo foi revelado por ele mesmo em entrevista ao Infobae em dezembro de 2024. “Meu futuro destino é embaixo daquela pedra, onde Manuela está enterrada. Quando eu morrer, vão me queimar e me enterrar lá”, afirmou na ocasião.





