A um dia do segundo turno das Eleições de 2026, os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e Luís Inácio Lula da Silva (PT) depositam esperanças nas estratégias adotadas nesta nova fase da disputa pelo Planalto. Segundo especialistas disseram à Agenda do Poder, o segundo turno é, definitivamente, uma nova eleição. De um lado do pleito, Lula intensificou a presença nas redes sociais, retomando mobilizações de rua. Do outro, o candidato do PL tentou garantir a votação do primeiro turno e angariar eleitores de outras bases inclinadas em sua direção na disputa.
Depois de uma votação acirrada no primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos e Lula conquistou 45,16%, as campanhas precisaram recalcular as rotas, especialmente a do candidato petista. O presidente, que teve um desempenho abaixo do esperado em pesquisas que antecederam o primeiro turno, precisou mudar as abordagens na tentativa de acordar o eleitorado que parecia adormecido quando o assunto era engajamento. É o que aponta o cientista político Danillo Bragança:
“A campanha construiu um papel já consolidado, de fato, mas esquece que o Lula tem mais de 30 anos de carreira política. E essa carreira política tem desgaste. Lula é um homem de 80 anos. É preciso conversar muito com as redes sociais. A campanha dele teve pouco espaço na rua, e isso mudou para o segundo turno. E teve pouco espaço nas redes sociais, isso também mudou para o segundo turno. Esperava-se maior presença dele. Então, a primeira grande mudança é que o Lula apareceu”.
Se de um lado, o presidente precisou “aparecer”, nas redes sociais, do outro, Flávio Bolsonaro contou com uma base de apoiadores que, segundo Bragança, fazem campanha incansavelmente, mesmo fora do período eleitoral. “O bolsonarista médio está fazendo campanha o tempo todo, todos os dias, não só durante a eleição. Acho que essa é a condição política do país daqui para a frente”, explica.

Para outro especialista, a campanha de Flávio Bolsonaro não tem uma cara definida, já que o candidato adapta os discursos conforme os rumos da disputa. No entanto, essa aparente instabilidade não é necessariamente fruto de uma falta de direção: pelo contrário, faz parte da estratégia adotada pelo senador desde o primeiro turno.
Quando a campanha chega ao segundo turno, a abordagem do senador pouco muda, detalha cientista político Paulo Henrique Cassimiro, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp).
“A campanha do Flávio nunca teve uma cara muito bem definida. Uma hora ele diz uma coisa, se desdiz, muda o discurso e contraria o que dizem seus aliados e coordenadores de campanha. Mas, na verdade, isso não é uma confusão da campanha do Flávio. É uma estratégia, porque os eleitores dele não estão buscando coerência no discurso. Estão buscando algum tipo de sinal de que o próximo governo vai desfazer tudo aquilo que o governo anterior fez. É isso que os eleitores do Flávio estão buscando: uma recusa completa do que o Brasil viveu nos últimos quatro anos”.
Um dos exemplos disso é a mudança de discurso do candidato em relação ao fim da escala 6×1, que estava em votação no Congresso até a última sexta-feira (16), quando o parlamento aprovou por 75 votos a 1 o fim do modelo de seis dias trabalhados e dois de folga. Inicialmente, Flávio Bolsonaro (PL) criticou a proposta e a classificou como eleitoreira.
No entanto, um dia antes da votação da PEC no Congresso, o senador voltou atrás e afirmou que: “A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então eu vou votar a favor do fim da 6×1”, disse a jornalistas após sair da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar.
No dia seguinte, 14 de outubro, o senador votou a favor da proposta. Já no debate realizado na TV Bandeirantes, no último domingo (19) Flávio justificou a mudança de posicionamento dizendo que passou a a apoiar a redução da jornada de trabalho após ouvir trabalhadores em viagens pelo país.

Coerência de um lado, flexibilidade do outro
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula por 2,2 milhões de votos. A diferença, porém, não é carregada para a votação deste domingo, já que o segundo turno é uma nova disputa.
Em uma simulação que mantém o total de votos válidos da primeira votação, Lula precisaria conquistar cerca de 5,8 milhões de votos além dos que recebeu no primeiro turno para alcançar a maioria absoluta. O número, contudo, varia conforme o comparecimento às urnas e a distribuição dos votos entre os candidatos. Vale lembrar que brancos e nulos ficam de foram da conta.
Até a sexta-feira (23), Lula apareceu com 44% dos votos na pesquisa do Quaest e 48% no Real Time Big Data. Flávio, por sua vez, aparece com 45% e 52% dos votos nas mesmas pesquisas. É no último levantamento do Datafolha que os dois candidatos aparecem empatados, com 50% a 50%.
Em caso de empate exato no segundo turno, a Constituição Federal prevê um critério de desempate: conforme o artigo 77, parágrafo 5º, é eleito o candidato mais idoso. Nesse cenário hipotético, Lula seria favorecido por ter 80 anos, enquanto Flávio Bolsonaro tem 45. A regra, porém, só se aplica se houver igualdade exata na votação. Um único voto válido a mais para qualquer um dos candidatos é suficiente para definir o vencedor.
Na avaliação do cientista político Danilo Bragança, Lula precisa ampliar sua votação em cerca de 3 milhões a 4 milhões de votos para reverter o resultado do primeiro turno. Uma das apostas da campanha, segundo ele, é mobilizar parte dos eleitores que não compareceram às urnas na primeira votação.
“Essa campanha do bom governo Lula é uma opção muito forte nas redes sociais para tentar mobilizar os 33 milhões de pessoas que não foram votar. Então, tem uma margem muito grande para crescer, tem uma margem muito grande para desconstruir essa vantagem e para virar. É possível que vire, inclusive”, afirma o especialista.
Ainda segundo o cientista, enquanto Lula tenta sobressair com o voto dos abstentes, a estratégia de Flávio é tentar conquistar os eleitores de outros candidatos que ficaram fora da disputa, como Augusto Cury (Avante) Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão).
“O grande movimento de Flávio é manter aquilo que já tem e tentar ocupar aquele espaço que foi ocupado por candidatos que estão ali no secundário, por assim dizer: o Caiado, Cury. A posição de Renan Santos chama atenção porque ele é muito crítico ao bolsonarismo. Mas a princípio, votos de Cury e Caiado podem migrar para Flávio Bolsonaro”, analisa.
Por isso, inclusive, que nesta campanha de segundo turno os candidatos apostam as fichas em regiões que tiveram menor participação na primeira votação, afirma o cientista. Em contrapartida, regiões como o Centro-Oeste e o Sul, são mais resistentes à tentativa de virada de voto por parte do candidato do PT.
Sudeste no centro da disputa
“O avanço, por exemplo, do bolsonarismo por volta de 2016, vem de antes. Em 2014, quando Dilma foi reeleita, o bolsonarismo e grupos correlatos começaram a ocupar, por exemplo, o Centro-Oeste, muitos ligados ao agronegócio, e o Sul, especificamente Santa Catarina e Paraná, por conta da Operação Lava Jato. Nesses espaços, não há muito como negociar.”
Ainda segundo Bragança, o Rio Grande do Sul funcionaria como “uma trincheira” ao PT. O que sobra para disputa de votos são as regiões Nordeste e Sudeste.

“A disputa mesmo é pelo Sudeste. Bolsonaro com uma retórica mais urbana e com problemas que são, inclusive, muito distantes do que é a atuação do presidente da República. E o presidente Lula com uma retórica mais voltada aos auxílios, ao apoio social, à construção de uma grande rede social que administra a vida daqueles mais necessitados, mais vulneráveis”.
No Sudeste, o estado de Minas Gerais aparece como uma área estratégica, visto que é um dos maiores colégios eleitorais do país. Nesta região, segundo o professor do Iesp, Paulo Henrique Cassimiro, há alianças feitas por Flavio Bolsonaro entre os governos locais.
“O Flávio construiu muitos aliados nos governos estaduais e em palanques importantes neste segundo turno. Isso é uma vantagem para ele. Minas Gerais é o principal exemplo. Ele fez muitos aliados entre os governadores, e isso é muito importante durante a campanha, porque o governador eleito tem, claro, uma capacidade de mobilização e de apoio ao candidato à Presidência que não é desprezível”, afirma.
Atos de campanha: candidatos voltam aos debates da TV
Quando falamos de atos de campanha, essas ações também precisaram mudar no segundo turno. Nessa perspectiva, Lula retornou à essência ao mobilizar grandes multidões, passeou pelas ruas, falou com os eleitores e invocou manifestações em outras regiões, mesmo aquelas que não pôde estar presente.
É nesse ponto, que o candidato pode ganhar apoio. Segundo o cientista político e professor do Ibmec-RJ José Niemayer, do primeiro para o segundo turno, a campanha petista passou a apostar mais na militância organizada e na mobilização de grupos sociais, especialmente estudantes universitários e secundaristas. Embora artistas também tenham participado dos atos, o especialista pondera que o peso desse segmento na ampliação dos votos é incerto.

“Lula focou mais em uma estratégia de rua, com grandes manifestações. Nós vimos isso. Depois, Flávio também começou a buscar essa mobilização. Fez uma manifestação grande na Avenida Paulista”, afirma Niemayer.
Na avaliação do cientista político, porém, há uma diferença entre os atos dos dois candidatos: enquanto Lula e o PT conseguem mobilizar grupos organizados da sociedade, capazes de levar o debate a outros segmentos, a manifestação de Flávio reúne, principalmente eleitores de classe média e média alta, sem a mesma presença de organizações sociais com potencial de ampliar a repercussão da campanha.
“Esses grupos que tanto o PT como Lula conseguem mobilizar com mais facilidade, repercutem o voto em outros grupos. Isso é diferente de um eleitorado específico, como vimos, por exemplo, na manifestação de Flávio na Avenida Paulista, que é o eleitorado de classe média e média alta. A manifestação gira em torno da classe média, mas não havia ali nenhum grupo organizado capaz de fazer esse voto repercutir”, pontua o cientista.
Embora os atos de rua não sejam suficientes, por si só, para converter eleitores, eles ajudam a pautar o debate público e podem ampliar o alcance da campanha. É o que salienta Paulo Henrique Cassimiro:
“Uma mudança importante é o fato de que colocar gente na rua, em grandes manifestações, não necessariamente muda a preferência eleitoral das pessoas. O alcance disso é muito restrito, mas essas manifestações pautam o debate e a imprensa. Nesse sentido, a campanha do Lula conseguiu pautar o debate no segundo turno.”
Paulo Henrique Cassimiro, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj)
Ainda segundo ele, parte das mobilizações de rua perdem efeito diante do eleitor brasileiro que, na ciência política, são chamados de apáticos. Não querem falar sobre política, não gostam de ser incomodados com o assunto e são insatisfeitos. É por esse motivo que o candidato do PL se fortalece nas entrelinhas.
“Nesse sentido, a campanha do Flávio, justamente porque não tem nenhum compromisso com a coerência, joga com todas essas insatisfações dos eleitores. A campanha dele foi muito bem-sucedida, tanto é que ele teve um resultado mais expressivo no primeiro turno”.
Além dos atos de campanha realizados na rua, os candidatos também apareceram mais nos debates. Esses eventos, que deveriam abrir espaço para a apresentação de propostas, acabam dando lugar às provocações entre os adversários.
“Aquilo que é talvez mais problemático em um debate é você ser provocado e cair na provocação. Cair na provocação é entregar tudo para o seu opositor”, avalia Bragança.
Lula deixa bets de lado durante 2º turno, Flávio foca nos ataques
No primeiro turno, os candidatos apresentaram discursos voltados às principais insatisfações do eleitorado. Lula, por sua vez, apostou no resgate da própria trajetória política e nos resultados de seus governos anteriores. No segundo turno, porém, essa narrativa perdeu espaço, e o presidente adotou uma postura mais combativa, com disposição até mesmo para direcionar ataques pessoais ao adversário.
Além disso, a discussão sobre as apostas esportivas, as bets, deixou de ocupar o mesmo espaço na campanha petista. O tema perdeu força em meio à tentativa de Lula de evitar novos desgastes eleitorais e concentrar os esforços em outra pauta: a segurança pública.
“O presidente Lula tomou, enquanto presidente, uma decisão que afetou a sua candidatura. Ao cancelar, ao proibir as bets dias antes do primeiro turno, Lula criou um fato novo e trouxe a narrativa para si. Então, é possível que o governo Lula tenha tomado essa decisão no começo do primeiro turno, para assegurar a narrativa e depois dar uma solopada nisso, porque causa um impacto”, afirma.
Mas, ao por fim as bets, Lula também assumiu outro risco, analisa Bragança. Justamente o de afastar o eleitorado masculino de si. Os homens, em geral, costumam apostar mais que as mulheres. Segundo pesquisas da Quaest realizadas no fim de 2025, 33% dos homens costumavam apostar, contra 21% das mulheres.
A insatisfação masculina com a medida tomada por Lula é ainda alavancada por outro fator: os eleitores homens não se identificam com as propostas. De acordo com o cientista político, as intenções de voto, além de tudo seguem critérios de gênero.
“Os homens tendem a votar, inclusive por conta de construções de masculinidade que são bem invocadas, mais na extrema direita. Ao perceber isso, Lula fez algumas medidas diretas para identificar e ampliar esse voto das mulheres, ao mesmo tempo que se afastou do eleitorado masculino. Ao se afastar do eleitorado masculino, inverte muito voto dessa massa de homens, que possui uma focalização muito programática e, por exemplo, sentiu falta das bets.”
Um exemplo, conforme Bragança, é a discussão sobre o acesso a armas, uma pauta associada ao discurso da direita que também mobiliza parte do eleitorado masculino. “Tem muito a ver com a retórica das questões de gênero, tem muito a ver com essa masculinidade, que deposita votos no problema da segurança também. Essas masculinidades respeitam mais isso”, analisa.

Por outro lado, o presidente se movimentou para defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, uma mudança que aproxima o discurso petista de uma pauta historicamente associada à direita. Segundo o especialista, a proposta também se relaciona com o esforço do campo progressista para se reposicionar diante de um tema que atravessa as preocupações de parte do eleitorado.
“Quando você fala do presidente Lula, hoje em dia, defendendo a redução da maioridade penal para 16 anos, é o PT tentando se organizar para trazer alguma novidade nesse campo, que é o que cabe também para um presidente. Não cabe a um presidente negociar a segurança pública de uma cidade como o Rio de Janeiro, porque isso é obrigação do governador”, sintetiza.
A mudança, no entanto, impõe um desafio à esquerda: responder às demandas por segurança sem perder a coerência com as posições que historicamente defendeu. É nesse contexto que a campanha petista tenta reorganizar o discurso e encontrar formas de disputar uma pauta na qual Flávio Bolsonaro também concentra parte de sua atuação política.
O candidato do PL, por sua vez, mantém a segurança pública entre os principais eixos de seu discurso, com propostas de endurecimento penal e medidas mais rígidas contra organizações criminosas. Na comunicação eleitoral, porém, a ênfase não está necessariamente na apresentação detalhada de um programa de governo, mas no contraste com a gestão petista e na sinalização de que pretende reverter políticas adotadas nos últimos quatro anos.
“O que o Flávio vai deixar de lado é a própria proposta de governo. Essa proposta de governo está lá escrita. São 76 páginas, mas ela tem que ser um pouco escondida. Então, é menos proposta e mais embate, mais briga, mais selvageria política. Isso é estratégico”, observa Bragança.
As falas sarcásticas do candidato bolsonarista e provocações seguem o estilo do ex-coach Pablo Marçal. Segundo Danilo, o marqueteiro deu o tom à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha de primeiro turno.
“Pablo Marçal é uma figura que vem de um mundo completamente avesso à escola, à academia, à universidade, à pesquisa. Então, é um marqueteiro com preceitos muito violentos. Essa é a maneira pela qual o Flávio Bolsonaro tem se comportado ao, por exemplo, não deixar claras as suas intenções políticas, econômicas e sociais”, afirma.
Contudo, o estrategista foi afastado da equipe do candidato na reta final do segundo turno, após o núcleo de campanha avaliar que o desempenho do presidenciável ficou abaixo do esperado no debate da Band realizado no domingo (18).
Campanha do perde-perde
Por falar nos debates, Bragança avalia que as falas dos políticos são pensadas para circular nas redes sociais e alimentar a atuação dos grupos que impulsionam os conteúdos de campanha. “O objetivo das falas hoje são sempre os cortes que vão municiar os esquadrões de internet que estão aí para curtir, comentar e compartilhar qualquer coisa que exista”, afirmou.
Na avaliação do cientista político e professor do Ibmec-RJ, José Niemeyer, não houve espaço no segundo turno para discutir propostas de governo. Já a postura dos candidatos em debate caracterizou o que o especialista chama de “campanha de perde-perde”.

“Acabou sendo uma campanha que, do ponto de vista da apresentação de programas, foi de perde-perde. Todos perderam. Os candidatos que não conseguiram apresentar seus programas acabaram perdendo, e os partidos políticos por trás deles não conseguiram conquistar o respeito do eleitorado. Todos perderam. Foi, decididamente, uma campanha de perde-perde.”
José Niemayer, cientista político e professor do Ibmec-RJ
Mudança x continuidade
A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também passa por duas narrativas sobre o futuro do país: de um lado, a defesa da continuidade de um governo conhecido; de outro, a promessa de mudança em relação aos últimos quatro anos. Segundo o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa diferença já estava presente no primeiro turno e permaneceu na etapa final da campanha.
“Uma das grandes dificuldades de você ganhar a eleição, a primeira barreira, é você ser conhecido. Lula está concorrendo à sétima eleição e, por mais que sofra, por ter alguns discursos negativos, é muito conhecido, não precisa gastar o tempo para ser mais conhecido em relação à imagem”, avalia.
Já o senador buscou associar a própria candidatura à ideia de mudança, ao mesmo tempo que mobilizou a imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e direcionou críticas à gestão petista. Para Chaloub, a estratégia procura responsabilizar Lula pelos problemas do país e apresentar a troca de governo como uma alternativa.
“Me parece que no primeiro turno teve uma mobilização muito da imagem do pai, mas também teve um ataque muito forte ao Lula tentando representá-lo como responsável pelo que der errado no país. Então, a campanha tentou vincular o Flávio a uma estratégia de mudança e vincular o Lula a uma ideia de continuidade”, destaca o professor.
Venci. E agora?
Falando sobre as condições de governabilidade para os dois candidatos em caso de vitória, são diversas. Para Niemayer, uma eventual reeleição de Lula pode trazer dificuldades na relação com o Congresso, visto que o PL, legenda do adversário, elegeu 121 candidatos federais, tornando-se maioria em número de cadeiras.
“É claro que o governo Lula terá problemas de governabilidade, porque terá menos apoio no Congresso. Mas a gente não pode esquecer que a Câmara Federal, de onde partem medidas como as mudanças na Constituição, tem deputados eleitos ligados a partidos de esquerda, principalmente o PT, e um grande bloco de centro, que deve ser organizado pelo PSD de Gilberto Kassab, que já conversou com Lula dias atrás”,
Apesar disso, o petista já tem se movimentado para tornar o caminho menos dificultoso, acrescenta o cientista político: “Então, com a vitória de Lula, por mais que a gente possa perceber talvez uma certa instabilidade na relação do Executivo com o Congresso, tenho a impressão de que o centro e os partidos mais à esquerda já estão planejando uma aproximação para poder governar, se Lula for reeleito.”
No caso de Flávio, o especialista aponta incertezas relacionadas à experiência administrativa do senador e à sua trajetória política.
“A primeira questão é que ele próprio, na minha visão, traz instabilidade pela baixa experiência administrativa, por não ser reconhecido como alguém com perfil para a Presidência da República. Ele sempre foi um agente político mais ligado ao Legislativo”, afirma.
No entanto, o especialista reconhece que um eventual governo poderia contar com apoio expressivo no Congresso. “É claro que ele pode ter muito apoio do Congresso se for eleito e, com isso, conseguir manter uma estabilidade mínima como presidente da República. Mas isso ainda não está muito claro para o eleitor, principalmente para aquele que não votou ou que ainda está indeciso”, finaliza.
Votação
O 2º turno das Eleições 2026 acontecerá neste domingo, 25 de outubro, das 8h às 17h (horário de Brasília). Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, assim como no 1º turno, se ainda houver eleitora ou eleitor em fila na seção eleitoral às 17h, a votação continuará até que a última pessoa no local vote.
O TSE recomenda consultar previamente o local de votação no site do tribunal ou no aplicativo e-Título, e que os eleitores levem uma colinha com o número dos candidatos, anotados em papel. É proibido entrar com celular na cabine de votação.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes
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