A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) começou a se afastar de Pablo Marçal nesta semana. Segundo interlocutores do entorno do senador, a equipe teme que a associação com o influenciador prejudique a candidatura presidencial e amplie a rejeição entre eleitores que não aprovam o ex-coach, informa Metrópoles.
O desgaste se intensificou após o debate da Band, realizado no domingo (18/10). Marçal participou da preparação de Flávio e afirmou que havia treinado o senador. Pessoas próximas à campanha, porém, avaliaram que o desempenho ficou abaixo do esperado e reproduziu traços do estilo adotado por Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2024.
Estratégia de confronto gera preocupação
A postura de Flávio no debate, marcada por provocações e movimentação pelo estúdio, foi considerada arriscada por interlocutores da campanha. A avaliação é que o estilo pode repercutir nas redes sociais, mas não necessariamente ajudar o senador a conquistar eleitores indecisos.
Parte do entorno teme que a estratégia de confronto dificulte a construção de uma imagem presidencial. A preocupação é atrair apenas a base já alinhada ao bolsonarismo, sem ampliar o apoio entre eleitores que esperam uma postura diferente.
Outro episódio que gerou incômodo ocorreu em um encontro com influenciadores digitais. Na ocasião, Marçal orientou os participantes a não atacarem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A recomendação foi vista como divergente da linha de oposição direta adotada pela campanha de Flávio.
A orientação também alimentou a percepção de que Marçal tenta imprimir sua própria estratégia à candidatura. Para pessoas próximas ao senador, essa diferença pode criar contradições na comunicação eleitoral.
Histórico e disputa por espaço ampliam desgaste
A desconfiança em relação ao influenciador também está ligada a declarações feitas durante a campanha municipal de 2024, quando ele criticou Jair Bolsonaro e desagradou setores do bolsonarismo. Integrantes do entorno de Flávio voltaram a mencionar esses episódios ao avaliar os riscos da aproximação.
Marçal teria percebido a redução de seu espaço na campanha e ficado contrariado com a perda de protagonismo na preparação de Flávio para o debate da TV Globo, marcado para esta sexta-feira (23/10). A tendência, segundo interlocutores, é que o marqueteiro Duda Lima e o senador Rogério Marinho tenham maior participação na definição da estratégia.
A relação também foi afetada pela possibilidade de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, comandar o Ministério da Prosperidade em um eventual governo. Marçal havia manifestado interesse na pasta e participado da formulação da proposta.







Deixe um comentário