O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram na noite desta segunda-feira (20) no Palácio da Alvorada para discutir a sucessão do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro aconteceu em meio às definições finais sobre o nome que será indicado pelo Planalto para a Corte.
Segundo fontes próximas ao governo, o advogado-geral da União, Jorge Messias, é o favorito de Lula para assumir o posto. A expectativa é que o anúncio oficial seja feito ainda nesta terça-feira (21), antes da viagem do presidente à Ásia, prevista para as 10h.
Messias é o nome preferido do Planalto
Jorge Messias, conhecido como “Bessias” nos bastidores do PT, é considerado um dos auxiliares mais leais ao presidente. Filiado histórico do partido, ele comandou a Advocacia-Geral da União (AGU) desde o início do atual mandato e ganhou força por sua atuação jurídica discreta e alinhada à estratégia política do Planalto.
Depois de formalizada a indicação, Messias ainda precisará ter o nome aprovado pelo Senado. O processo começará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Alcolumbre, antes de seguir ao plenário.
Apesar da proximidade com o governo, Alcolumbre tem preferência pessoal pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliado político e presidente do Congresso Nacional. Pacheco chegou a ser considerado um dos possíveis indicados, mas perdeu força diante da intenção de Lula de mantê-lo na política — especialmente com vistas à disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026.
Conversas reservadas e bastidores no Alvorada
A reunião com Alcolumbre ocorreu dias depois de um jantar reservado entre Lula e Barroso, realizado na sexta-feira (17), também no Palácio da Alvorada. Segundo interlocutores, o principal tema do encontro foi justamente a sucessão no Supremo, já que Barroso se aposentou após 11 anos na Corte.
Na conversa, Lula mencionou os três nomes mais cotados nos bastidores: Jorge Messias, Rodrigo Pacheco e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas. Barroso, contudo, evitou opinar sobre um candidato específico, limitando-se a afirmar que os três eram “qualificados” para ocupar o cargo.
O jantar com Barroso não teve a presença de outros ministros do STF, mas o presidente tem mantido diálogo frequente com membros da Corte. Na semana passada, ele recebeu no Alvorada os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além de integrantes do governo, como Rui Costa (Casa Civil).
Decisão próxima e sinal político
A escolha do novo ministro deve reforçar o perfil técnico e de confiança pessoal de Lula dentro do Supremo, repetindo a linha das nomeações anteriores — Flávio Dino e Cristiano Zanin. Messias é visto como uma opção segura e alinhada, capaz de fortalecer a interlocução entre o governo e o Judiciário sem causar atritos com o Senado.
Aliados afirmam que o presidente quer anunciar o nome antes da viagem internacional para evitar especulações durante sua ausência e demonstrar controle sobre a agenda política interna.






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