A mobilização ocorre em uma disputa apertada com Flávio Bolsonaro (PL) e se soma ao esforço para reduzir a abstenção entre eleitores de baixa renda. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28) mostrou Lula com 52% das intenções de voto no primeiro turno entre quem possui renda familiar de até dois salários mínimos, contra 23% de Flávio.
O levantamento ouviu presencialmente 2.004 eleitores entre os dias 24 e 28 de setembro, tem margem de erro geral de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95%.
Alckmin pede participação dos maiores de 70
A convocação aos idosos foi reforçada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de 73 anos. Em publicação alusiva à data, ele relacionou experiência, participação política e exercício do voto.
“Você ajudou a construir o Brasil que chegou até aqui e é decisivo para o país que vamos deixar para as próximas gerações. Eu tenho 73, e continuo participando das decisões do nosso país”, afirmou Alckmin. “Depois dos 70, com a sua experiência de vida, seu voto é fundamental”, completou.
A estratégia está diretamente relacionada à tentativa da campanha petista de conter a abstenção. Nesta reta final, Lula tem feito apelos públicos para que os idosos compareçam. Na semana passada, no Rio, chegou a afirmar: “Precisamos convencer as pessoas de 70 anos a votar. Levanta a bunda e vai votar, o Brasil precisa de você”. A mobilização dos maiores de 70 anos está entre as prioridades eleitorais do presidente nos últimos dias de campanha.
Salário mínimo entra no discurso
Lula aproveitou a mensagem de Alckmin para destacar medidas econômicas direcionadas também a aposentados e pensionistas. “Nosso governo retomou e tem o compromisso de manter a política de ganho real (acima da inflação) do salário mínimo para trabalhadores e aposentados”, afirmou.
O salário mínimo chegou a R$ 1.621 em 2026 e serve como piso para benefícios previdenciários. A política de valorização real havia sido interrompida a partir de 2019, início do governo de Jair Bolsonaro, quando o reajuste passou a acompanhar apenas a inflação, e foi retomada no atual governo.
O tema tem peso eleitoral porque aposentadorias e pensões vinculadas ao piso acompanham o salário mínimo. A campanha petista também incluiu entre suas propostas para um eventual quarto mandato iniciativas relacionadas ao envelhecimento saudável, ampliação de serviços de cuidado e inclusão digital de idosos.
Votar também vale como prova de vida
Outro argumento utilizado por Lula é de caráter prático. O presidente lembrou que o comparecimento às urnas pode ser usado pelo INSS como comprovação automática no processo de prova de vida.
A informação é confirmada pelo próprio instituto. Segundo o INSS, o comparecimento eleitoral integra os registros que podem ser utilizados para comprovar que o beneficiário está vivo, procedimento necessário para a manutenção de aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais. Cerca de 40 milhões de benefícios ativos estão submetidos ao processo de prova de vida.
O apelo ocorre justamente no momento em que Lula e Flávio disputam cada grupo capaz de alterar o resultado das urnas. Levantamentos divulgados nesta reta final apontam uma corrida apertada, com alguns institutos registrando empate técnico entre os dois.
Para a campanha petista, portanto, conquistar novos votos é apenas parte da equação. Garantir que segmentos nos quais Lula registra desempenho mais elevado efetivamente compareçam às urnas tornou-se uma frente igualmente importante nos últimos dias antes da votação.







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