Durante visita oficial à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (6) que pretende concluir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia nos próximos seis meses, período em que ocupará a presidência rotativa do bloco sul-americano. A declaração foi feita ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, durante um dos eventos que marcam a primeira visita de Estado de um presidente brasileiro ao país europeu desde 2012.
— Eu assumirei a presidência do Mercosul no próximo dia 6 e, ao assumir a presidência, o mandato é de seis meses. Eu quero lhe comunicar que não deixaria a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia. Portanto, meu caro, abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo — disse Lula.
O tratado de livre comércio entre os dois blocos foi fechado em dezembro de 2024, mas enfrenta resistência em países como a França, onde setores agrícolas pressionam o governo a rejeitar o acordo por temerem perda de competitividade diante da redução de tarifas e subsídios.
Pressões internas e nova conjuntura global
Macron enfrenta forte oposição interna ao tratado, sobretudo dos agricultores franceses, que temem prejuízos com a entrada de produtos sul-americanos no mercado europeu. Ainda assim, diplomatas brasileiros avaliam que o novo cenário global, com o aumento das tarifas dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, pode abrir uma janela de oportunidade para o avanço das negociações.
— O tema será tratado nos encontros entre os dois presidentes. Nesse novo contexto geopolítico, pretendemos explorar essa possível condição favorável — afirmou Flavio Goldman, diretor do Departamento de Europa do Itamaraty.
A visita de Lula à França foi oficialmente iniciada na quarta-feira (5), quando o presidente chegou acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e foi recebido pelo ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot. A programação começou com uma cerimônia no Palácio dos Inválidos, seguida de um almoço de trabalho e, à noite, um banquete oficial no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.
A viagem faz parte de uma estratégia de reaproximação entre os dois países. França e Brasil firmaram uma parceria estratégica em 2006, mas as relações esfriaram a partir de 2016, especialmente durante o governo de Jair Bolsonaro. Em março de 2024, Macron visitou o Brasil, com destaque para a viagem à Amazônia e aos estaleiros onde são construídos os submarinos Scorpène.
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