O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou na manhã deste sábado (17) com o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohammad Shtayyeh, para discutir a situação na Faixa de Gaza.
O encontro aconteceu às margens da cúpula anual da União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia. Lula está em viagem de cinco dias ao continente africano.
O encontro durou cerca de uma hora, em uma das salas de conferência na sede da União Africana, onde Lula vai discursar como um dos líderes convidados de fora do continente.
Shttayeh é primeiro-ministro da Autoridade Palestina, na Cisjordânia. Ele não tem influência sobre as decisões na Faixa de Gaza, que é controlada pelo Hamas. Ele também não é o principal dirigente da Autoridade Palestina, o que cabe ao presidente Mohammad Abbas — com quem Lula já manteve uma série de conversas.
A situação na Faixa de Gaza foi o principal tema da viagem de cinco dias de Lula, primeiro ao Egito e depois a Adis Abeba. Ao lado do presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, o presidente brasileiro voltou a criticar Israel pela resposta desproporcional após ataque do grupo militante Hamas.
“O Conselho de Segurança não pode fazer nada na guerra entre Israel e [o Hamas na] Faixa de Gaza. A única coisa que se pode fazer é pedir paz pela imprensa, mas me parece que Israel tem a primazia de não cumprir nenhuma decisão emanada da direção das Nações Unidas”, afirmou o presidente.
Ao mesmo tempo em que estava no Cairo, a cidade também era palco de negociações para obter um cessar-fogo na Faixa de Gaza, envolvendo representantes do Hamas, de Israel, do Egito, do Qatar e dos Estados Unidos.
A preocupação com os rumos do conflito se elevou nos últimos dias com o anúncio de Israel de que ampliaria as operações militares em Rafah, no sul de Gaza, que é na prática a única saída da região em guerra. A cidade concentra atualmente grande quantidade de civis, entre eles mulheres e crianças, que fogem da zona de conflito.
No mesmo dia em que se encontrou com al-Sisi, o brasileiro voltou a criticar Israel durante discurso na sede da Liga Árabe. O presidente afirmou que uma ofensiva em Rafah provocaria “novas calamidades”
“Operações terrestres na já superlotada região de Rafah prenunciam novas calamidades e contrariam o espírito das medidas cautelares da Corte [Internacional de Justiça]. É urgente parar com a matança. A posição do Brasil é clara: não haverá paz enquanto não houver um Estado palestino dentro de fronteiras mutuamente acordas e internacionalmente reconhecidas, que inclui a Faixa de Gaza e Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital”, afirmou Lula.
Com informações da Folha de S. Paulo.





