Lula condena decisão dos EUA sobre facções e ataca família Bolsonaro: ‘traição’

Presidente reage a declarações de Marco Rubio sobre facções criminosas e acusa grupo bolsonarista de agir contra os interesses do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (29), a postura dos Estados Unidos em relação ao Brasil e classificou como um “retrocesso” recentes declarações do secretário de Estados dos Estados Unidos Marco Rubio sobre o avanço de facções criminosas na América Latina. Durante agenda pública em Sergipe, Lula também direcionou críticas duras a integrantes da família e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando, sem citar nomes, que eles “traíram a pátria”.

A reação ocorre após declarações de Rubio sobre segurança pública e organizações criminosas — o governo dos EUA classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A iniciativa se deu após Flávio Bolsonaro e aliados levarem a pauta aos Estados Unidos, depois de intenso lobby. Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em assuntos internos e defendeu a soberania nacional.

“Esse aqui é um país muito grande. Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que trato a China, a Rússia e os Estados Unidos. E quero respeito, salientou”. Segundo o presidente, o país possui instituições capazes de enfrentar o crime organizado sem tutela internacional. Lula disse ainda que o combate às facções deve ocorrer por meio de cooperação entre países, mas sem ameaças ou pressões políticas externas. “Nós aprovamos uma lei contra o crime organizado e vamos combater os criminosos”, pontuou.

Crítica a bolsonaristas

Durante o discurso, o petista também elevou o tom contra adversários políticos ligados ao bolsonarismo. Sem citar diretamente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que integrantes do grupo político atuam no exterior para desgastar a imagem do Brasil e enfraquecer o governo brasileiro perante autoridades internacionais.

“É lamentável ver brasileiros trabalhando contra os interesses do próprio país. Isso é trair a pátria”, declarou o presidente. “Tem gente que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil. Isso é traição. É traidor”, salientou.

As críticas também ocorrem após aproximações recentes entre o governo brasileiro e os Estados Unidos em agendas econômicas e diplomáticas. Apesar disso, Lula voltou a defender uma política externa independente e afirmou que o Brasil não abrirá mão de sua autonomia nas decisões estratégicas.

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