Lula afirma que se reuniu com agências de risco para pedir análise mais ampla da economia do país: ‘Não precisa ouvir só a Faria Lima’

Lula destacou que as agências têm se comportado de maneira ‘decente’, mas que ele próprio quis apresentar dados sobre a política econômica do Brasil para fornecer uma visão mais completa da situação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter se reunido com representantes de agências de classificação de risco em Nova York, pedindo que eles considerem uma perspectiva mais ampla ao avaliar a economia brasileira, além de ouvir apenas empresários e representantes do mercado financeiro, como os da Faria Lima. Durante uma conversa com jornalistas em Nova York, antes de retornar a Brasília nesta quarta-feira (25), Lula destacou que as agências têm se comportado de maneira “decente”, mas que ele próprio quis apresentar dados sobre a política econômica do Brasil para fornecer uma visão mais completa da situação do país.

— Chamei as agências pelo seguinte, que é importante que vocês saibam da boca do presidente da República o que está acontecendo naquele país, não precisa ouvir só a Faria Lima, não precisa ouvir só os empresários, ouça os trabalhadores e o presidente da República. E eles têm sido decentes, tem conversa com ministro da Fazenda, o Haddad, conversado com as pessoas do Tesouro. Mas eu quis mostrar um pouco para eles o que está acontecendo no Brasil — disse Lula em entrevista à imprensa em Nova York.

Na manhã de segunda-feira, Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se encontraram com representantes das agências Standard & Poor’s e Moody’s em Nova York. No dia seguinte, ele conversou com a Fitch. As três juntas são as principais agências de classificação de risco. As suas avaliações são usadas por investidores para ajudar na decisão de aportar recursos em países e empresas.

Lula foi aos Estados Unidos para discursar na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente pediu para a equipe econômica um acompanhamento do cronograma das agências para a possível recuperação do Brasil do grau de investimento.

O presidente explicou o motivo pelo qual pediu o encontro e seu compromisso em fortalecer a política fiscal implementada por Fernando Haddad.

— Chamei as agências para conversar porque essas agências têm um histórico no Brasil, vão sistematicamente ao Brasil, têm escritório no Brasil, em São Paulo, no Rio de Janeiro, elas pesquisam. E eu brinquei com eles dizendo que sou tão azarado nesse negócio que nunca respondi uma pergunta sequer eleitoral, nunca encontrei ninguém que me parasse na rua e perguntasse em quem eu ia votar.

Em maio, a Moody´s mudou a avaliação sobre a nota de crédito do Brasil de “estável” para “positiva”. Em seu comunicado, a agência justificou a alteração na perspectiva do crescimento do país, após “reformas estruturais” e “salvaguardas institucionais”. Em dezembro do ano passado, logo após a aprovação da reforma tributária, a Standard & Poor’s elevou a nota de crédito do Brasil.

O Ministério da Fazenda espera que o Brasil retome o grau de investimentos em 2026. Esse é considerado um selo de bom pagador, o que aumenta possibilidade de investimentos no país. Alguns fundos, por exemplo, só podem aportar recursos em países com grau de investimentos.

Com informações de O Globo.  

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