Lojistas de bairro sem energia de São Paulo correm atrás de carro da Enel para cobrar explicações sobre apagão

Além da luz, o bombeamento de água de condomínios — que necessita de energia — também parou, fazendo a síndica contratar dois geradores

Lojistas do bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, relatam prejuízos de até R$ 60 mil devido à falta de energia, que já dura quatro dias. De acordo com os comerciantes, um veículo da Enel, entrega responsável pelo fornecimento de energia na cidade, passou pelo local na manhã desta terça-feira (15), mas não fez qualquer intervenção. Frustrados com a situação, dois lojistas decidiram perseguir os técnicos em seus próprios carros, buscando respostas e solução para o problema.

“Eles disseram que estavam tentando identificar onde estava o problema. Mas nem saíram do carro, muito menos subiram em postes”, conta Gilberto Fontana, um dos que pararam a equipe de eletricistas. Ele é dono de uma joalheria no bairro.

– Nem consigo contar quantas vezes liguei, e a cada vez eles mudam a previsão. Parece que é só para calar nossa boca – desabafa Fontana.

Outra moradora que perseguiu o carro da Enel, dona de uma franquia alimentícia da rua, não quis se identificar. Ela não teve perdas, pois o franqueador ajudou a guardar parte da comida. O resto, ela diz que armazenou onde pôde, até em freezer de cliente.

O proprietário de um restaurante afirma ter deixado de faturar R$ 60 mil pelos dias perdidos de trabalho. Ele afirma ter mais cinco lojas, mas apenas em uma, nesta região, a energia nessa caiu. Segundo ele, que preferiu não se identificar, a região é muito ruim e é recorrente a queda de energia.

Uma proprietária de um pet shop contou que no “ano passado aconteceu foi a mesma coisa”. Ela se refere às chuvas de novembro de 2023, que causaram apagão na capital.

Ela calcula prejuízo de R$ 15 mil até agora. Quase metade se deve a remédios que não podem ficar em ambientes com temperatura acima de 8°C e acabaram estragando. Os lojistas daquela rua consideraram alugar um gerador, mas deliberaram não compensar. Seria R$ 1.800 a cada seis horas de uso.

Na Vila Andrade, na zona sul, a síndica Maristela Pagotto estima um gasto de até R$ 150 mil só em a limpeza do condomínio Parque Brasil. A força dos ventos derrubou 32 árvores no local.

“Graças a Deus não caiu árvore em cima de ninguém”, comenta. Ainda foram derrubados bancos e muros, e um poste foi partido ao meio.

Além da luz, o bombeamento de água — que necessita de energia — também parou, fazendo o condomínio contratar dois geradores. O atendimento da Enel só chegou ao endereço nesta terça-feira (15) e começou a religar a energia. Muitos moradores, porém, já não estavam mais lá.

Quatro idosos que dependem de aparelho para respirar tiveram que ser internados. Outro grupo não aguentou a situação, principalmente o fato de ter que tomar banho gelado, e foi para a casa de vizinhos e parentes.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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