O prazo para erradicação dos lixões no Brasil expirou em agosto de 2024, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas ainda há cerca de três mil depósitos irregulares no país. Um dos impactos mais graves foi registrado na Chapada dos Veadeiros (GO), onde um incêndio em um lixão se espalhou por seis municípios em setembro, devastando áreas protegidas e ameaçando o turismo local.
O fogo durou seis dias e teve origem em um depósito de rejeitos em área de proteção ambiental, revelando a persistência dos lixões mesmo em regiões ambientalmente sensíveis.
Além da Chapada dos Veadeiros, outros paraísos ecológicos sofrem com o problema, como o Pantanal, os Lençóis Maranhenses e praias da Bahia.
Cerca de 40% do lixo no país é descartados de forma irregular
Segundo o Sistema Nacional de Informações de Saneamento (Snis), 1.593 cidades ainda utilizam lixões, afetando a saúde da população, o turismo e o meio ambiente. Cerca de 40% do lixo no país é descartado de forma irregular, e a taxa de reciclagem, que deveria ser de 14%, não passa dos 3,5%.
A situação dos Lençóis Maranhenses é preocupante, com apenas um aterro sanitário licenciado no estado, enquanto cidades como Barreirinhas voltaram a utilizar lixões. O lixo acumulado em áreas turísticas, como a Praia de Caburé, afeta diretamente os rios e as praias, prejudicando o turismo e o ecossistema local. O Pantanal também enfrenta riscos, com lixões localizados próximos ao Rio Cuiabá e seus afluentes, que abastecem a região.
Associação diz que falta prioridade nos orçamentos
A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) aponta a falta de priorização nos orçamentos municipais como principal causa da continuidade dos lixões. Soluções como aterros sanitários regionalizados, que atendem diversos municípios, são defendidas como alternativas mais sustentáveis e economicamente viáveis. Contudo, a transição para um sistema mais eficiente de tratamento de resíduos ainda enfrenta desafios, com problemas de acesso à coleta regular em áreas remotas.
Apesar dos esforços para melhorar a gestão de resíduos sólidos, como a adoção de aterros sanitários em algumas regiões, a falta de fiscalização e investimentos adequados mantém os lixões como uma ameaça constante ao meio ambiente e à saúde pública, especialmente em locais de grande importância ecológica e turística, como o Pantanal e os Lençóis Maranhenses.
Com informações de O Globo





